sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Esperando o sol



Estou na expectativa de uma grande viagem.....duplamente gratificante, pra dentro e pra fora de mim.
Serão dias de muitas novidades, paisagens e um tempo a sós, comigo mesma.
Não conheço a sensação de estar completamente só, numa terra estranha, com pessoas e costumes tão diferentes. Esse completo abandono de referenciais me deixa um tanto insegura e, ao mesmo tempo, excitada. É um misto de medo de deixar a segurança do meu mundo, junto com uma sensação prazerosa de que sou capaz de coisas inimagináveis....de que posso tudo que quiser, quando e como quiser!
Agora é dominar a ansiedade e conquistar mais este território desconhecido: a sensação de estar solta no mundo, sem nada e sem ninguém.....
O exercício diário de compreensão de outra linguagem, de uma nova realidade.....lidar com a saudade, com a solidão daqueles que estão no meio de uma multidão, porém, inevitavelmente sozinhos.....
Vou esperando crescer e aprender a beleza de me bastar.
Vou esperando o sol de todas as coisas.
Vou com o olhar da menina e com o coração da mulher.
Vou só pra poder voltar...., pra mim, pra você e pra vida.

sábado, 3 de outubro de 2009

Se você vier......


Se você vier
pro que der e vier comigo

Eu lhe prometo o sol

Se hoje o sol sair




Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar

Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...


Nesse dia branco


Se branco ele for


Esse tanto


Esse canto de amor...



Se você quiser e vier

Pro que der e vier.... Comigo.

( Dia branco - Geraldo Azevedo )

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Para além dos meus castelos.....






A princesa, finalmente, vai sair do castelo....vai deixar o conforto e a segurança de sua torre só por um instante.... quer sentir a brisa da liberdade acariciar seus sonhos.


Tanto tempo aprisionada em suas próprias quimeras que esqueceu-se de como é única a sensação de aventurar-se por caminhos desconhecidos, paisagens inexploradas.


O medo de transpor os portões do Forte é real, contudo não a impedirá de caminhar, antes guiará seus passos com firmeza e segurança, prudencia e paciência......os primeiros passos são sempre os mais dificeis quando se está (re)aprendendo a andar.


Para a castelã, este é um momento de extrema importância, há muito aguardado e, por demais temido......estar só num mundo de tantas possibilidades, sem armaduras ou valentes cavaleiros que a protejam. O primeiro voo da borboleta após o rompimento da crisálida!


A beleza do ser em continua transformação é a ausência de


certezas.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Meu paraiso é aqui e agora....



Sou muito feliz, aqui e agora.
Não espero o futuro, nem aspiro viver em outro lugar.....
Sou grata pelo instante presente, pela vida que pulsa dentro de mim.
Cada momento é um milagre irreptível e, sendo assim, aproveito para que seja, também, inesquecível.
A ilusão de poder controlar o tempo.....de ser eterno, bobagem pueril.
Somos hóspedes, peregrinos e naturalmente transitórios, mesmo em essência.
Todos os dias renovo minhas perspectivas sobre a vida......permito-me esquecer o passado, sem ignorar tudo que dele frutificou.
Não questiono como seriam os caminhos que optei em não percorrer......não me mortifico pelas coisas que deixei de fazer.......me basta viver a minha escolha, o meu possível.
O que passou e o que virá não fazem parte de mim.....

domingo, 27 de setembro de 2009

A alegria de voltar pra casa....



Viajar é bom demais, contudo, voltar pra casa é melhor ainda... Ter pra quem, pra onde e o porquê retornar, simples assim. Essa é a síntese da minha felicidade.

Em qualquer lugar onde eu esteja, meu mundo está comigo, minhas riquezas e meus horrores. Não se foge de si mesmo, por isso, viajar pelo mundo pode ser um grande tédio quando nossos olhos "estão fechados" para a vida.

Uma paisagem pode ou não ser agradável, depende muito do espírito de quem a contempla. Há pessoas para quem tudo é cinzento e sem graça, mesmo estando diante dos mais ricos palácios, já outras se encantam e são felizes com as coisas mais simples do mundo e experimentam um sensação de completude muito rara de se ver....não precisam de mais nada.

A minha casa é o meu refúgio, é onde me abasteço de paz e energia.....meu porto seguro.....onde estão os meus amores e onde a vida é de muita alegria. Como é bom voltar pra casa......

domingo, 20 de setembro de 2009

A dor de crescer




Crescer dói muito, mas é preciso....

Não é a só a dor "do crescimento" da ossatura.

É o latejar de se perder a inocência, ganhar responsabilidades, se despedir dos amigos invisíveis, do papai noel, do coelhinho da páscoa, da fada dos dentes.....

É sentir na pele tudo aquilo que não fomos capaz de aprender com o amor....precisamos da dor, mestre implacável a nos ensinar.

A pureza, as ilusões, todos os super heróis, não sobrará nada, apenas fotos e lembranças de algo que vivemos em algum lugar do tempo.

Pensando bem, essa trasnformação é vital, o casulo precisa ser rompido para que a "evolução" seja completa.....o amadurecer dos frutos da terra e o ciclo da vida fazem parte do processo.

Não há como pular etapas ou retardá-las em demasiado, sob o risco de se perder a essência, a razão e o motivo de se existir.

Tudo ao seu tempo, cada fase nos ensina o que precisamos saber, nada de mais ou de menos. Muito desse "empreedimento" depende do amor e da paciência dos instrutores, porém, só a coragem e a determinação dos discípulos os tornarão vencedores e renascidos.

Não raras vezes meus filhos me dizem que não gostariam de crescer, queriam ser crianças para sempre......

Eu compreendo bem esse desejo e lhes dou uma sugestão:

É possível manter o menino, é só guardá-lo dentro do coração....sempre que precisar ele estará lá para lhe dar a mão.

Explico, ainda, que só homens corajosos conseguem isso, aqueles que crescem sem medo de enfrentar e vencer, todos os dias, os seus próprios fantasmas.

Nossos piores inimigos nascem e crescem dentro de nós mesmos e habitam as nossas mentes doentias.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sonhos que limitam



Quando eu era mais jovem, nem em meus melhores sonhos eu poderia imaginar ou intuir o quanto eu seria feliz e realizada.
Eu sempre acalentei o desejo de ser livre, independente e dona do meu nariz, literalmente falando.
Casamento não estava em meus planos, embora, como toda menina romântica, desejasse, ardentemente, amar e ser amada.
Canalizei muito da minha energia nos estudos e no trabalho, sempre quis romper com as amarras, sair da periferia e ter condições financeiras para viajar, apreender outros idiomas, conhecer outras culturas.
Nunca fui uma pessoa muito resignada com as circunstâncias em que estava inserida.....ansiava pela liberdade que só meus irmãos homens tinham.....não suportava as limitações advindas da falta de dinheiro.
O tempo foi passando, me formei na faculdade, ingressei no serviço público e passei a ter uma vida um pouco mais confortável.
Estava tudo muito bem, perto da família, dos amigos.....era tudo que eu sempre sonhara.....até que um dia, toda minha vida e meus planos mudaram de rumo.....eu, que sempre fugi de compromissos amorosos mais sérios, tive meus conceitos e minhas convicções reviradas por um grande amor, avassalador e determinante.
Em nome desse sentimento larguei "meu porto seguro" e me lancei, vela aberta em direção ao mar desconhecido.
Aportei em outra região do país, mudei de emprego e de estado civil.....resumindo: resnasci no e floreci no planalto central......parece até outra vida (reencarnação).
Nunca pensei que pudesse ser tão feliz.....isso tudo para dizer que não podemos limitar nossas vidas aos sonhos que temos......muitas vezes, o planos divino reserva para nós realizações que jamais ousamos pensar......os sonhos realizados podem ser um cárcere se não estivermos abertos ao convite da vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Seres invisíveis e vidas vazias



Sempre me pego a pensar nos "seres invisíveis" e como suas vidas se tornaram, por opção ou por imposição, um grande vazio existencial.
Na minha concepção, seres invisíveis são aquelas pessoas marginalizadas, estigmatizadas, discriminadas e fora dos padrões adotados como normais por uma determinada sociedade.
Quando o indivíduo não se encaixa no modelo "bonito, rico, poderoso, jovem, inteligente, etc" passa a ser coberto por uma capa de invisibilidade social.
Isso é muito comum nos dias atuais, onde pobres, velhos, indigentes, doentes, presidiários e deficientes são solenemente ignorados....fazemos questão de não enxergar esse triste turba e suas fétidas feridas purulentas.
Chega até ser uma obscenidade, esbravejam alguns, ter que suportar essa massa desforme nos faróis, esquinas, portas de restaurante, a esfregar nas nossas caras tanta miséria e dor.
Pessoas assim rotuladas, jogadas ao limbo da morte em vida, estão aos montes pelo mundo a vagar, é só você parar e prestar atenção, que logo achará alguém bem próximo nessa situação. Talvez um familiar já idoso, a quem ninguém mais nota e nem tem paciência para ouvir as mesmas histórias dos tempos de outrora, onde aquele galho seco reluziu estrondoso e cheio de vida.
Ou quem sabe, um amigo próximo, que por medo do fogo da existência (que queima e só depois purifica), acabou optando por existir anonimamente, sem ser notado, apartado de tudo que exija exposição e compromentimento emocional.
Vidas secas, vazias .......seres invisíveis, mortos-vivos!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A lente do amor



Olhar o mundo e as pessoas como quem olha um filho dormindo.....como quem observa o espetáculo da vida em constante transformação.Compreensão e compaixão é tudo que nos falta quando nos deparamos com o outro e com o seu particular modo de ser.

Tudo seria diferente se nos habituássemos a ver a vida através da lente do amor, filtrando as imagens, as emoções e os sentimentos como quem garimpa no rio lamaçento o mais lindo diamante. É uma atividade estenuante, bem se sabe, mas a recompensa é por demais valiosa e justifica o sacrifício da busca ou do resgate do nosso "eu-divino" interior.

Não importa se o dia está nublado ou ensolarado: importante mesmo é o tempo que faz dentro de mim e de que forma irradio isso para o ambiente em que vivo. É óbvio que nos dias de chuva intensa a tempestade faz transbordar todas as mágoas do meu ser imperfeito e inquieto. As tormentas de vento embaralham meus pensamentos e fico perdida, sem prumo. Há dias em que os raios e trovões são vistos e ouvidos a quilômetros de distância.....os olhares arrasadores e as palavras que ferem.

Coloquei "vidros nos olhos para poder melhor te enxergar"..... e, como o olhos do armor e do afeto acolho todo o seu ser.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A miséria humana


Pobres são aqueles seres que possuem mais do que precisam e, mesmo assim, ainda querem mais e se degladiam por muito pouco, envenenam-se, alma e corpo, por quase nada. Matam-se por bagatela.
Não adianta morar nos mais ricos castelos se o espírito habita os umbrais mais profundos.
Engana-se aquele que busca a felicidade e a paz fora de si. As roupas e as jóias nada dizem sobre o indíviduo, antes, o deformam e o mascaram.
O eu verdadeiro prescinde de adornos.
Nada consome mais a energia de uma vida do que a ilusão do ter, do possuir e do controlar.
Embora a matéria corpórea seja transitória e mutável, muitos insistem em viver como se fossem eternos, imortais, propositalmente entorpecidos e ignorantes da certeza de suas mortes.
O desgaste e o desequilíbrio trazidos pela busca incessante de poder e dinheiro levam o indivíduo a perder os tesouros mais valiosos de sua efêmera vida: o amor, a paz e a saúde.
Pobres miseráveis, não sabem o que é o afeto verdadeiro, desconhecem o que é ter uma noite de sono tranquila e revigorante....não foram premiados no jogo da vida, onde quem ganha não é aquele que mais acumulou ao final da partida, mas sim aquele que se despojou de tudo que pudesse ocupar demasiado espaço em sua "bagagem", deixando-o livre e leve para a cruzar "a linha de chegada".
" (....) ói, ói o trem, não precisa bagagem, nem mesmo passagem pro trem...... (....)" Raul Seixas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A minha missão



Não sei qual é minha missão nessa vida mas, se eu pudesse escolher, gostaria de ser uma ponte entre as pessoas e seus sonhos, ajudando-as a realizá-los.
Se eu pudesse escolher, gostaria de ser um instrumento útil na construção de mundo melhor para todos que estão ao meu lado.
Ah, seu eu pudesse eu queria ser um exemplo de vida digno para os meus pais, irmãos, marido, filhos, amigos.....
Gostaria de ser a palavra que traz alento para os desesperados, a compreensão aos desiludidos e a justiça para os desvalidos.
Eu queria ser um caminho de cura para todos que sofrem com os males da alma, um simples feixe de amor para aqueles que desistiram de acreditar nele.
Eu queria ser tanta coisa, mas não sou nada além de mim mesma.
Então, vou fazendo o possível para, pelo menos, não tornar minha passagem pela terra em vão, até porque, a vida cobra um pedágio alto para aqueles que acham que estão aqui só em passeio, de férias.
Sempre fui uma ótima aluna. Adoro aprender, conhecer.....talvez seja essa minha missão. Conhecimento ninguém subtrai, nem a morte.

O medo como aliado


O medo é um sentimento inato ao individuo. O medo primário (autêntico) é necessário, inclusive, para a sobrevivência da raça humana. Funciona como um freio, um alerta diante dos perigos iminentes, um sinal para que a pessoa recue, procure um lugar seguro, se proteja para poder sobreviver. O medo é instinto, uma inquietude que nos dá força para fugir ou reagir. Esse tipo de medo é útil.

Por outro lado, existe o medo secundário (imaginário) e irreal, criado em nossas mentes e, geralmente atrelado a um evento futuro. Essa incerteza do que virá é pertubadora e, gera imagens e cenas aterrorizantes em algumas mentes. Sem informações, preenchemos nossos pensamentos com imagens assustadoras. São exemplos desse tipo de medo, as fobias e os medos sociais.

A sensação de medo traz em si, de forma oculta, um valor, algo que se estima e que se quer preservar. Assim, o medo é nosso aliado, pois nos indica o que deve ou não ser feito em nosso benefício, da nossa saúde e, da nossa liberdade.

Contudo, o medo deixa de internalizar um viés positivo quando nos paralisa, nos deixa sem ação, ou distorce nossa visão da realidade.

Para melhor trabalhar a energia proveniente do medo temos que tomar conhecimento dele. A conscientização é o primeiro passo para ter mais opções de lidar com a situação. Quanto mais rico o "mapa" que tivermos sobre o que estamos sentindo, mais opções teremos e, estaremos controlando a sensação de medo.

Assim, é essencial reconhecer o medo irreal e o que ele produz, reconhecer e captar a intenção positiva desse medo ( o que ele quer nos dizer) e, por fim, mudar a estratégia que gera (gatilho) o medo.
O caminho para vencer o medo é entrar em ação. Coragem é ação.

Coragem é enfrentar seu medo e vencê-lo.