domingo, 26 de dezembro de 2010

Inventário do tempo


O bom do tempo é que ele não é estático.

Passa e leva consigo tudo que nos dispomos a viver, ou não.

Mesmo quando nos deixamos levar pelo movimento do mundo,

sentimos o compasso do tempo, arrastado ou voando, depende de

como nos posicionamos diante da vida.

Milhões de segundos....minutos incessantes de tanto existir.

A inércia ou a ação, nada estanca o correr das horas nem muda

o prazo de validade de cada ser.

Também a morte não detém o tempo.....seus efeitos sob a carne

lânguida e fria, plena de transformação.

Assim, sempre há tempo para recomeçar.

De uma forma qualquer, sempre é tempo de viver.

Toda manhã traz ínsita o alvorecer de um novo tempo.

Propósitos renovados, súplicas aos céus.

Tempo de paz.

Tempo de realizações.

Tempo de colher os frutos de uma vida de amor

e trabalho.

O tempo escoando pelas minhas mãos famintas......
O Ser e o tempo.....
"Temos todo o tempo do mundo".

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobra espaço no formigueiro.


Extra!!! Extra!!!!!

Sobra espaço no formigueiro......há vagas também nas colméias.

Em contrapartida, o Olimpo está superlotado e a Lâmpada, nem se fale.

Dizem por ai que a briga por um cantinho lá tá dando até morte!!!!!

É, o mercado dos "privilegiados" está hiperinflacionado, haja oferta heim....

Tem de todo tipo, de várias cores, tamanhos, opções sexual e religiosa.

Em razão do crescimento desenfreado do segmento, o líder máximo do MST (movimento dos super talentosos....ou seria: movimento dos sem trabalho??????), num ato de revolta sem precedentes (nunca antes na história deste país.....) esbravejou:

_ Vamos invadir a Lua!!!! Morte a São Jorge e ao Dragão!

_ Ah Ah Ah a estratosfera é nossa!

_ Ao Infinito e Além, não tem pra mais ninguém!!!!

Ainda em êxtase lembrou que precisariam eliminar a concorrência desleal existente há muito no local e assim decretou o prévio exílio de todas as estrelas, cometas e corpos celestes.

E numa missão quase impossível, partiram todos, em grande estilo.

Hoje, estão perdidos no espaço vazio de si mesmos, fugindo do buraco negro da própria existência, sonhando com o retorno de Jedi e a reconstrução da "terra de gigantes".

Ai de nós, meros mortais, pobres trabalhadores braçais!

Perigo! Perigo!

A temporada de extermínio das tanajuras, saúvas, abelhas rainha e zangões acaba de ser aberta.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

No compasso do amor

Um sorriso franco e amigo, uma abraço sincero de amor e cumplicidade.
A felicidade que envolve o meu, o teu coração.
Abrindo estradas e percorrendo cada qual o seu caminho,
embora a mesma rota comporte inúmeras direções.
O teu braço forte me sustenta no abismo e me guia na escuridão de mim mesma.....sou acolhida na ternura do seu olhar.
A intensidade da vida que pulsa em cada instante, eterno encontro de almas e destinos entrelaçados.
Corremos soltos pela vida, desejosos de mundo e plenos de imensidão.
A leveza e a simplicidade de duas crianças que
constroem castelos nas nuvens.
No jardim da nossa casa, plantamos filhos e colhemos histórias.
Na realidade deste paraíso particular florecem sonhos das raízes da vida.

Divagando


As infinitas possibilidades da linguagem.

Escoam diversas semânticas do signo....

pensamentos em profusão, fonte inesgotável

do desejo de expressão.

Quando escrevo, quero falar de vários assuntos ao

mesmo tempo, num tipo de convulsão de imagens e

percepções.

Talvez a insurgência natural de uma alma condenada

eternamente à indignação, à irresignação e ao grito.

Transformar sentimentos em palavras, agonia em alento,

respirando a cada letra, nutrindo-se de cada oração.

Confissão insólita da minha incompletude e complexidade.

Se nego a escrita, afogo-me na insensatez e na loucura.

Tenho a estranha mania de sobreviver e reviver em

cada ferida aberta.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Figurante, jamais!!!!


Vivo num mundo de pessoas "faz de conta", cuja enganosa existência é "só para constar", "cumprir tabela" mesmo, num total desperdício de vida e energia.
Puro estelionato emocional, onde a "moda" é digitalizar o afeto, terceirizar a educação dos filhos, virtualizar as relações, mercantilizar as frustações e ignorar todos os sinais de alerta.
Um não-ser, complacente e manipulável: morte em vida, "zumbis" da modernidade.
Quando criança, aqueles que não podiam participar das brincadeiras, por doença, inaptidão ou fraqueza, eram chamados de "café com leite", ou seja, só "faziam número".
Hoje compreendo como a vida é repleta desses "figurantes", seres previamente derrotados,
primeiro, por si mesmos, já que são incapazes de "virar o jogo", por medo ou mera comodidade e, em segundo, pela própria natureza, onde os inaptos são, inexoravelmente, devorados, massacrados e pulverizados, todos os dias.
Numa época em que as frustações, as inquietudes e a ansiedade são diagnosticadas como transtornos, faço questão de sangrar todas as minhas feridas e, de forma feroz e quase insana, defender aa minhas crenças e pontos de vista, mesmo quando equivocados.
Fugir da minha essência é negar o que realmente sou e isso, nem pensar.
Um viver às escondidas, sob a sombra do que realmente se desejara ser não é vida, é castigo, purgação, expiação e danação.
Não fiz curso de "sobrevivência artificial na selva".
Coadjuvantes e figurantes jorram às bicas, razão porque é sempre meu o papel principal da trama. Chega a ser inevitável..... mérito meu??? não sei, mas diante de tantos vermes rastejantes, qualquer calango faz a festa!
"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher....." eu e a Cássia Eller, para sempre, além túmulo e em todas as dimensões possíveis.
Figurante, jamaisss!!!!!













































domingo, 28 de novembro de 2010

Preceito diário: resistir, superar e ousar.


Insisto, diariamente, na resistência e na superação.

Luto contra o reducionismo, pois nada, nem

ninguém, é tão bom ou mau, sempre e completamente.

Ousadia e inovação, a opção por 'novos' (até então
desconhecidos)

caminhos, não obstante o risco que sempre acompanha os primeiros

passos.

Há, ainda, o inevitável confronto entre o velho e o nascido agora.

A segurança da estrada diariamente trilhada diante da necessidade de

abrir-se "picadas" alternativas: a exploração que evita o perecimento.

Bandeirante da sobrevivência, eis o que sou.

A alegria da busca envolve todo o meu ser e,

sem que eu me dê conta, sou suavemente compelida

a redescobrir o valor do simples e a beleza do natural.

Com a leveza e a desenvoltura de uma bailarina,

deixo-me conduzir pelos sons e movimentos do mundo.

Sou livre e estou aberta e disponível a todas as sensações.

Saudo a vida acolhendo todas as possibilidades.

Até na morte, há transformação.

Mesmos os mais imponentes "castelos" viram pó e nada.

A ilusão do "ser" e do "ter", a morte-em-vida dos que

tudo "sabem".....o lugar-comum, o cotidiano, a pseudo-sabedoria

que paralisa e obscurece.

As 'janelas' estão abertas.....o vento desembaraça os

meus pensamentos....já não tenho medo do escuro,

porque há muita luz dentro de mim.





terça-feira, 23 de novembro de 2010

Paradoxos


A morte e a vida, tudo num mesmo dia.


Quiça menina, quem sabe mulher, depende do que se quer.


Ares de princesa, fúria de dragão, sentimentos em contradição.


Ódio entrelaçado com excesso de amor, espinhos de uma mesma flor.


O choro fácil, o riso largo.....fé e desesperança,


Vagos pensamentos, muitas lembranças.


Prelúdio de tempestade..... vento forte soprando pra longe a ilusão do sonhar.


Aqui e acolá, visão e cegueira, a intuição que contrapõe a razão,


a alternativa é falsa, e também verdadeira.


Não há lógica nas coisas que me atormentam, as amarras do imaginários, a mágoa e o


pressentimento só revelam aquilo que tanto quero esconder, por medo ou


mero arrependimento.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Minha certeza, minha fortaleza!



Eu me fortaleço em cada armadilha colocada em meu caminho, inclusive aquelas acompanhadas de flores e pérfidos sorrisos....
Ah, os eternos e sorrateiros espectros humanos, proto-seres que alimentam-se da própria mediocridade.
Diante da escuridão de suas almas, lançam sortilégios à luz e, numa tentativa alucinada de impedir o raiar do dia,debatem-se nas trevas de seus cárceres, tal qual vermes aprisionados em sua própria podridão.
E neste espetáculo de horrores, assisto, impávida, monolitos inteiros serem tragados pela areia movediça da vaidade.
Nada mais solitário e presumível.
A tragédia construída por estas nefastas criaturas geralmente só a elas envolve, a ponto destas serpentes serem esmagadas e engolidas, diariamente, pela felicidade e sucesso daqueles que tanto invejam.
Eis as minhas certezas: Eu me fortaleço naquilo em que não me reconheço: na torpeza humana.
Sobrevivo, a despeito das sórdidas tramas escondidas entre abraços e apertos de mão.
O fogo, a transformação e a purificação forjam guerreiros, coroam vencedores.
























quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Mais uma vez


Mas é claro que o sol Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mais uma vez (Renato Russo)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Solicitude


A arte de cuidar, ser cuidado e se deixar cuidar.

Um com o outro sem ser, necessariamento, como o outro.

As múltiplas possibilidades de encontro e
relacionamento com aqueles que fazem parte
do caminho.

Ser enquanto ser, próximo ou afastado de algo ou

alguém.

Eu gosto de ser cuidada, mas sem a sensação de manipulação, acomodação ou proteção
paralisante, longe da força irresistível da massa uniforme, compelida e empurrada para a
mediocridade.

Não quero ser mais uma na multidão, perdida de mim mesma e

acomodada na opinião dos politicamente corretos, aniquilada e absorvida

pelo "eu coletivo".

Tamanha violação não vale a conveniência de uma aceitação ilegítima

e simulada do grupo.

Minhas experiências e expectativas estão diretamente ligadas

ao existir humano, meu e dos outros.....ser-com e sendo-com,

como já disse Heidegger.

Posso viver perfeitamento com os outros, sem precisar ser

igual a eles.

O cuidado que liberta, sem o zelo que domina.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Aos 45 anos.....


Sinto-me mais leve, sem o peso de ter que corresponder às espectativas dos outros.

Já não preciso provar nada pra ninguém, nem viver preocupada com que pensam de mim.

Com o passar do tempo fui abandonando alguns modelos "apertados" demais e que não combinavam comigo.

Uma das boas coisas que chega com a idade é a compreensão de

que somos o que podemos ser - nem mais, nem menos.

Envelhecer com sabedoria é uma arte que necessita de prática diária e, escrevendo, aprendo melhor essa difícil lição.

Há sempre um olhar para o passado e a certeza de que muitas foram as realizações.

Uma sensação de bem estar me invade e preenche o espaço vazio deixado pelas ilusões

que se foram......ideais que se vão.

Neste momento o que se passa fora de mim deixa de ter importância - fixo minha atenção na minha essencia, o que realmente tem valor. Uma escuta ativa e intuitiva das minhas reais necessidades.

O ritmo frenético do mundo moderno, as emoções baratas e descartáveis, a busca

desenfreada pelo ter, aparências, nada mais.......já não faço parte deste universo: um alívio!

O espectro, o silêncio e a invisibilidade.

A transcendência do ser.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quando os ideais se vão....


A melancolia de sepultar os ideais.

A dor de ver morrer, inexoravelmente,

uma parte de si mesmo.

Vejo-me, hoje, peça fora do sistema hipócrita e

egoista que um dia acreditei que poderia

transformar, mesmo que minimamente....

O idealismo pueril de querer fazer a diferença,

sucumbiu diante da operacionalidade dos egos,

daqueles que fazem da "justiça" sua latrina
pessoal. Sou puro desalento.....perdi o inconformismo típico daqueles que pensavam mudar o
mundo com seus moinhos de vento. Perdi a coragem, a luta e a vontade....descobri que

todas as minhas energias foram consumidas nesta espiral dantesca da miséria humana.

Estou paralisada pelo veneno da serpente. Só resta-me agonizar até o momento final da

morte dos meus sonhos.

Arrastarei, até então, os pesados grilhões que um dia simbolirazaram a minha libertação

dos porões da ignorãncia e da pobreza: esta é a minha forma particular de expurgar a culpa
pelo fracasso.

Tenho todo o tempo do mundo para enterrar, uma a uma, as minhas ilusões!