
Quando falo demais, exagero e acabo proferindo palavras que ferem fundo algumas pessoas. Ainda estou aprendendo a ser mais afetuosa e feminina, me despindo, em determinados momentos, da guerreira voraz e impetuosa.
De alguma forma a minha agressividade sempre foi um escudo eficaz que me protigia de tudo e de todos. O medo de ser ferida me colocava sempre em posição de combate em relação ao outro.
A rejeição, a falta de dinheiro, a saúde delicada foram circunstâncias que forjaram em mim essa armadura. Há ocasiões em que percebo uma profunda fusão entre o que sou na essência e essa carapaça impenetrável. Geralmente é nessa hora que a magma selavagem transborda e escorrem por todos os poros palavras devastadoras, línguas de fogo certeiras e impiedosas. Não há o que soebreviva às labaredas serpentiantes e, às explosões devastadoras que saem de dentro de mim.
Após o resfriamento, sinto-me como aquela criança que quebrou o vaso mais caro da loja de cristais.
Que bom que ainda tenho toda uma eternidade para ver fecundar no solo do meu eu, sementes de serenidade e de gratidão. Haverá de crescer em mim uma árvore do perdão, do perdão que devo a tantas pessoas que atingi com minhas lâminas afiadas e também a mim....."ainda sou criança e não conheço a verdade....".
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