
Há um duelo entre a minha essência feminina e a masculina.
Por décadas o meu eu masculino prevaleceu, por pura necessidade de defesa e auto-afirmação, fazendo com que a guerreira se agigantasse.
A deusa, sem espaço, ficou encolhida. Tinha medo de mostrar-se. Esperava o seu momento, o dia em que a guerreira, ferida e cansada, suplicasse por sua ajuda.
E assim foi.
Esse dia chegou. A guerreira cansou-se de controlar, guerrear e impor sua vontade, como se a sua verdade fosse a única opção possível para seus oponentes.
Hoje, já exausta de tantas batalhas, a guerreira quer descansar, quer ser protegida e amada, como nunca ousou pensar.
Neste momento floresce em mim essa deusa-menina, também guerreira, forte e altiva, porém, muito mais afetuosa e ponderada.
Chegou a hora da guerreira curar suas feridas, deixando que a deusa lhe traga o bálsamo necessário às suas dores e dissabores.
É fato que uma não vive sem a outra e, a deusa só está hoje fortalecida porque soube esperar o seu tempo, o exato instante em que foi aberto o portal do desejo há tanto adiado.
Vivendo todas as cores da vida, a mulher e a menina.
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