segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A morte da Dona Esperança


Hoje o dia amanheceu triste, num gris fúnebre de lágrimas e lamentos.

Os sinos anunciavam que o "chamado" se concretizara.

A multidão se apressou para saber quem fez a "passagem".

Será velho ou novo? homem ou mulher? morte morrida ou matada?

E, em meio ao burburinho, soube-se que Dona Esperança

foi a "escolhida", a flor que Deus colheu no jardim da vida.

Nossa, morreu tão jovem a pobrezinha......

Tão moça e meiga, boneca de porcelana a enfeitar as vitrines profanas da existência humana.

Do que morreu tão pacata senhora? Foi do coração?

Não, logo respondeu um rapaz com ar de bem informado, quase da família:

- Foi de "falência múltipla dos órgãos".

Acrescentou que o colapso foi de grande proporção e comprometeu o funcionamento de todo o

organismo.

A coitadinha ainda tentou reagir, mas não teve forças suficientes para manter-se viva.

Sucumbiu, afinal a Dona Esperança.

Parecia ser imortal a danada....

Qual nada, no fundo, todo mundo é igual,

Hoje foi a Dona Esperança,

ontem, a Dona Graça,

Amanhã, quem sabe, não será a Dona Felicidade.

Esta é a única coisa certa da vida.

O mais, só ilusão, alucinação, pretensão daqueles que se acham eternos.



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