domingo, 19 de junho de 2011

Tempos modernos: da inquisição à normose.




Como bem afirma Rubem Alves, "as inquisições não são monopólio das igrejas e não se fazem só com lenha e fogo".

Pensando nesta frase, tem se que, dependendo da ideologia dominante, o discurso do poder pode encontrar justificativas das mais diversas para legitimar a "queima" de bruxas, feiticeiras e hereges" que ousem destoar do padrão imposto pelos "donos da verdade" e "senhores dos dois destinos".

Na minha inata rebeldia, de pronto identifiquei a idéia de Rubem Alves com os ensinamentos do Padre francês Jean - Yves Leloup (quem me conhece sabe o quanto eu não gosto de padres, mas este é um das poucas exceções....), tão bem transmitidos pelo inesquecível Professor Pierre Weil, da Unipaz, tive a honra de conhecer durante um breve curso sobre conciliação (a arte de viver em paz), em 2008, meses antes de seu desncarne.
Leloup forjou o conceito de normose, como uma doença da modernidade e da normalidade, onde a ambição desmedida e a ausência de ética nas relações humanas são a marca registrada. É uma extensão da famosa "Lei do Gerson", onde o que importa é levar vantangem em tudo. Para a maioria, tudo muito normal, pois os fins justificam os meios. Numa sociedade exgeradamente consumista, onde o ter é mais importante do que o ser, nada mais propício para turbinar a "geração do super" (relações superficiais, saber supérfluo, consumo superlativo, egos superexpostos, arrogância superabundante, etc).

De acordo com os citados mestres, a pessoa acometida pela normose, é extremamente egoísta, vaidosa e gananciosa. Seres desta estirpe geralmente são perigosos para a humanidade, já que não levam em conta o outro e toda a sua diversidade. Antes, deseja extirpá-lo da face da terra. Pior, essa "doença" é cumulativa e, quanto mais o tempo passa, mais os "standarts" vão sendo aceitos e introjetados na consciência coletiva, fortalecendo e legitimando padrões de comportamento duvidosos, o que torna a cura uma tarefa muito difícil, já que boa parte da sociedade, quando não adere aos "modismos", nada faz para combater as causas de tão perigosa patologia (o comodismo habitual das massas, tão acostumadas a serem tangidas).

Por essas e outras que sempre digo: Eu não sou uma pessoa normal! Nunca fui.

"Queimar" em praça pública, para mim é só mais um motivo de orgulho, pois revela a coerência entre os meus princípios e a minha conduta diária, dentro e fora de casa.

Minha mãe sempre diz: desconfie das pessoas normais demais......invariavelmente atrás das "capas de cordeiros", moram lobos e serpentes prontas para dar o bote.

Como toda mãe é meio bruxa, não custa nada tomar cuidado né!

sábado, 18 de junho de 2011

Sou tantas e nenhuma me tem de verdade.....






Rústica - Florbela Espanca



Ser a moça mais linda do povoado,

Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,

Ver descer sobre o ninho aconchegado

A benção do Senhor em cada filho.



Um vestido de chita bem lavado,

Cheirando a alfazema e a tomilho...

Com o luar matar a sede ao gado,

Dar às pombas o sol num grão de milho...



Ser pura como a água da cisterna,

Ter confiança numa vida eterna

Quando descer à "terra da verdade"....




Meu Deus, dai-me esta alma, esta pobreza!

Dou por elas meu trono de Princesa,

E todos os meus Reinos de Ansiedade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fragmentos de Rubem Alves





" A VIDA É ASSIM: A GENTE ESCOLHE UM CAMINHO NA ESPERANÇA DE QUE ELE VÁ NOS CONDUZIR A UM LUGAR DE ALEGRIA. TOLOS, PENSAMOS QUE A ALEGRIA ESTÁ AO FINAL DO CAMINHO. E CAMINHAMOS DISTRAÍDOS SEM PRESTAR ATENÇÃO. AFINAL DE CONTAS, CAMINHO É SÓ CAMINHO, PASSAGEM, NÃO É PONTO DE CHEGADA. COM FREQUÊNCIA, A GENTE NÃO CHEGA LÁ, PORQUE MORRE ANTES. MAS HÁ UNS POUCOS QUE CHEGAM AO LOCAL SONHADO - SÓ PARA DESCOBRIR QUE A ALEGRIA NÃO MORA LÁ. CAMINHARAM SEM COMPREENDER QUE A ALEGRIA NÃO SE ENCONTRA AO FINAL, MAS ÀS MARGENS DO CAMINHO; ELA SE DISPÕE PARA A GENTE É NO MEIO DA TRAVESSIA...."
- VARIAÇÕES SOBRE O PRAZER.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aos "fabulosos" de sempre, a parábola dos que "tem sempre razão" -



O LOBO E O CORDEIRO

Um cordeiro a sede matava
nas águas limpas de um regato.
Eis que se avista um lobo que por lá passava
em forçado jejum, aventureiro inato,
e lhe diz irritado: - "Que ousadia
a tua, de turvar, em pleno dia,
a água que bebo! Hei de castigar-te!"
- "Majestade, permiti-me um aparte" -
diz o cordeiro. - "Vede
que estou matando a sede
água a jusante,
bem uns vinte passos adiante
de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte,
para mim seria impossível
cometer tão grosseiro acinte."
- "Mas turvas, e ainda mais horrível
foi que falaste mal de mim no ano passado.
- "Mas como poderia" - pergunta assustado
o cordeiro -, "se eu não era nascido?"
- "Ah, não? Então deve ter sido
teu irmão." - "Peço-vos perdão
mais uma vez, mas deve ser engano,
pois eu não tenho mano."
- "Então, algum parente: teus tios, teus pais. . .
Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais;
por isso, hei de vingar-me" - e o leva até o recesso
da mata, onde o esquarteja e come sem processo.

La Fontaine

Moral da fábula: (A razão do mais forte é a que vence no final ou, é perda de tempo discutir com um insensato, ainda mais quando ele tem poder)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A sabedoria dos roçeiros










Dias atrás eu explicava ao meu filho Arthur o quanto o saber e o conhecimento eram democráticos.


Dizia-lhe que a observação atenta da vida poderia tornar um homem da roça


num ser mais sábio do que muitos doutores da academia.


Não é qualquer um que conhece a natureza do ser e das coisas e consegue compreendê-la e admirá-la sem modificar a sua essência.


Ditos roçeiros, considerados ignorantes e grossos por boa parte da elite pensante* (*subproduto social que confunde dinheiro e poder com sabedoria e cultura), não raras vezes nos surpreendem com a profundidade de um comentário ou de um conselho.....quando desatam a contar "causos", então, pode esperar que a pescaria será farta.


Falo isto porque nunca fui afeta a rebuscados discursos, conglomerado de palavras vazias e sem sentimento, talvez isto explique a minha predileção por Alberto Caeiro em detrimento de Ricardo Reis e Álvaro de Campos.....desde menina sou assim, sem paciência para conversa fiada.


Gosto mesmo de saborear as histórias do "Seu Nikito Chaves", da prosa boa do "Véio Pedro Marques", das benzeduras da Dona Maluzinha, nordestina arretada e, das teorias malucas do Paulinho Leardini. Na mais pitoresca delas, ele afirma que o "casamento é uma mala", que deve ser organizada só com aquilo que o casal realmente precisa carregar para a vida em comum.....como não cabe tudo que cada um traz na bagagem "de solteiro", há que se fazer escolhas e concessões, pois o espaço é diminuto pra tanto badulaque e lixo "acumulado" por cada consorte....e aí começa o teste de fogo, diz meditabundo, o sábio taxista, ex-pedreiro e ex-operário de fábrica do interior paulista....é ai que a "porca torce o rabo", pois tem gente que não consegue abrir mão nem dos próprios fantasmas, quanto mais dar de si para o outro também existir.....difícil né, coisa de doido!


E é então que entram os conselhos práticos da Madame Doralice e as premonições da vidente Dona Yolanda, mulheres simples e pouco letradas, contudo, certeiras como as pragas do Egito.....coisa de mãe por certo, seres incompreensíveis e que transitam entre o céu e o inferno com a maior naturalidade e desenvoltura, tudo em nome da felicidade de seus rebentos......bem, mais esta é outra história, que ficará para outro dia...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O sorriso dos covardes





O sorriso de um covarde pode ter vários significados, depende do contexto.


Nunca é só um simples sorriso, sinal de alegria e contentamento.


Isso é para as crianças e para os corajosos, os de corpo e alma,


que dormem em paz após um dia de trabalho duro.


Já para os fracos de alma, curingas sociais, o sorriso pode ser medo,


vergonha, ou canalhice mesmo.....riso frouxo da desgraça que espalha.


Os pusilânimes, quase sempre, são muito sorridentes e buscam


lucrar com cada postura (ação ou omissão) que assumem.....nada é em vão.


E por conta deste mercado de "favores", os covardes assumem cargos altíssimos,


e passam a vida sorrindo e transigindo com a a ética, a moral e a justiça,


a fim de se manterem neste Olimpo pantanoso, verdadeiro umbral.


Há um ditado espanhol que diz que "O mundo é de Deus, mas


Deus o aluga aos corajosos".


A coragem de que se fala é a ousadia de ver a vida sempre com os olhos da primeira vez,


é saber escolher entre a justiça e o Direito, tratando todos da mesma forma, do mais rico


ao mais pobre, sem distinção ou casuísmos oportunistas.


O sorriso valente, destemido e livre.......este sim vale o preço!



terça-feira, 7 de junho de 2011

Ofereço uma música pra vc......





Há Tempos - Legião Urbana

Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos...

Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro...

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso...

Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito...

Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...

E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção...

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem (Ela disse)
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Why?



I would like to know why you are so dark?

I don't understand the world where you live and your soul.

Give me a trace, please.....only one.

I promise to be fast in my mind.

You look like so far.....

Please, tell me more about your fears and tears.

I can hear you now.

Don't worry about me,

I never fall again.

I'm waiting for a change.

I'm trying to do the best.

It's the possible, it's is my circunstances.

Forgive me if I don't know the way, the secret

code for stay in your heart.

I'll always be here.

Call me, if you'll need a friend.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Frases do dia







Há duas formas de ignorância: a que desconhece toda a teoria e só identifica a beleza, e aquela que não vê senão seus interesses imediatos e sabe todos os discursos para justificá-los. A primeira pode ser chamada de virtude.






O autêntico é desagradavelmente vazio aos olhos dos que fazem do artifício um modo de vida. Quem é bastante livre para ser espontâneo pode ser livre também das opiniões do mundo - e das suas miragens.



Luiz Carlos Lisboa

Nova Era

terça-feira, 24 de maio de 2011

Música ao cair da tarde......





Primeiros Erros

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
Eu não deixo os meus passos no chão

Se você não entende, não vê
Se não me vê, não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende

Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas, só chove e chove
Chove e chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros

O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas, só chove e chove
Chove e chove

Da Beth para o Beto



A falta que fazes não tem a medida certa do quão vazio é estar sem ti.
Demorou – se a ter certeza de que havias ido...
Antes, no tempo primeiro da ausência, nos cantos outrora ocupados por ti esperava – se, em um desvario, que tu chegasse e dissesse que nada havia ocorrido, fora ali, e já voltara ...desculpando – se.
De repente...passaram – se os dias, e fez – se a certeza de que não mais retornarias...
Então, riu – se das tuas manias, dos teus gostos nos lanches, de teu gosto nas bermudas, e de como, da última vez do encontro, estiveste com frio, a ponto de enrolares tuas pernas em uma toalha de mesa...rindo..
Recordou – se dos ternos que compraste, um para cada dia, e de tua Juíza dizendo – lhe que não precisava assim estar, e tu olhando aqueles ternos comprados e agora guardados...
Recordou – se, outrem, da farda que lá atrás, tempos já tão idos, usaste e que bonito ficava .....
Recordou- se o que comias no lanche dos quitutes, da doce excursão, dos docinhos e salgados e, ali, já sem ti, indagou – se o que comeria...? daí falou – se que comerias isto...aquilo..
Recordou – se até das vezes em que nada comias, ficava no seu canto, nos processos, e de vez em quando olhava os seus, em suas comilanças, daí, então, ria...
Ria das estórias, das pataguadas, dos mexericos..
E, de tudo, o que mais ria era da vida, daquela que queria tanto ter...e não esperava que de tanto querer, fosse ela embora...
E, aos poucos, vai – se vendo, sentindo, que estás conosco apesar de não estares aí, vendo – nos.
Estranho...olhar tudo e saber que não mais está aqui...ainda custa crer, acreditar, sentir...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A desigualdade que revolta





Viver o desigual, em todas as suas perpespectivas, por si só já é um exercício que demanda paciência e boa vontade.

Porém, nada é mais revoltante e difícil do que aceitar o motivo pelo qual soluções distintas são dadas para situações idênticas. A desigualdade entre os iguais.

Por mais que a "injustiça" seja corrigida, há uma contaminação da fonte como um todo, atingindo o pré e o pós decisium. Quebra de confiança, défict de credibilidade.

Não há argumento razoável, nem tampouco princípios éticos ou morais que sirvam de justificação para tais decisões, a ponto de legitimar tratamento tão díspare em face de um mesmo fenômemo.

Muitos seres escondem-se atrás de suas "cascas", leiam-se: cargo, sobrenome, aparência, dinheiro, fama de "bom moço", títulos acadêmicos, etc e acabam impondo tais distorções com muita naturalidade, a ponto de tais heresias tornarem-se verdades irrefutáveis.

Estamos na era da cristalização da imbelicidade humana. A covardia sempre se reiventando, agora com outro nome. E nós somos feitos reféns de tais divindades, almas geniais.

A verdade é que em nome da "boa convivência" , da "cordialidade" e da "ponderação", inúmeras atrocidades são cometidades diariamente, tudo em nome de uma nobre finalidade: O bem comum?????? Não, A VAIDADE HUMANA....

Que justiça que nada!

"Aqui quem manda sou eu.....vc sabe com quem tá falando.....eu tô pagando!!!!!".