quinta-feira, 1 de julho de 2010

Corpos Celestes




Numa órbita qualquer......


Estou aprisionada em um campo gravitacional intenso.
Nas entranhas do buraco negro que devora todas as estrelas;
depois de tanto brilho: a explosão e o colapso!
Nada é para sempre.
O sol se contrai e a noite expande seu véu de escuridão sobre
todo o Universo.
Uma complexa via láctea gira entorno do no meu espaço sideral, vasto e vazio de sua atmosfera cósmica.
Mas, em algum lugar da galáxia pulsa a magma selvagem
recoberta pelas geleiras enigmáticas do seu ser,
pronta para escapar pelas fendas invisíveis
do rochoso tecido em que a esconde, mas
sem a capacidade de retê-la completamente.
Olha bem,
aprecia o impacto constante dos nossos
corpos celestes no Infinito,
Espetáculo de luz que transcende
a minha e a tua vontade,
Nesta órbita somos ínfimas partículas
no vácuo de uma dimensão paralela,
de um multiverso desconhecido e
inexplorado de sensações e desejos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os predadores de afeto



É tão comum seres que se alimentam de afeto sem a capacidade de doar-se ou ceder, uma migalha sequer, para outrém....

Um gesto de carinho, nem pensar!

Vampiros emocionais disfarçados de homens.
Suas vítimas preferidas são aquelas almas que ainda acreditam no amor.....que entregam-se sem
reservas para seus algozes, como crianças em busca de colo.....tudo em nome de um sentimento, hoje,
já muito fora de moda.
Você não só levou minha alma, meu corpo e meu coração...
levou consigo, também, meus sentimentos mais puros, todos os meus sonhos...
minhas ilusões......apropriou-se do melhor de mim, devagarinho, sem fazer alarde.....já não tenho mais nada, só esse vazio.....e uma sensação de desesperança muito grande......
Indiferença, quicá, suportabilidade, afinal, administrar um espólio desses não é uma tarefa fácil.....requer tempo e habilidade diante de tamanha desertificação emocional.
As lesões afetivas são de difícil cicatrização......demandam muitas vidas para serem reparadas e costumam "infectar" os bons momentos vividos e as memórias alegres de tempos idos.
Grangrenas e feridas que serão suas medalhas e seu troféu ao final da jornada.
Nada mais.....

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Quando eu crescer eu quero ser......


Uma criança.....de alma leve e vida fácil.
Sorrir e chorar só quando eu tiver vontade,
dormir e acordar naturalmente, sem pré-ocupar
minha mente com o inexorável.....
Ser feliz com as borboletas,
ver figuras nas nuvens,
conversar com o vento
e ser amiga das estrelas!
Ah, não vejo a hora de crescer
e ser uma bela menina, grande
nos sonhos e no coração.
Tenho tantos planos a realizar,
então vou pedir aos céus que esse
dia chegue logo.....
Vou adorar procurar conchinhas
pelas praias, me lambuzar com uma
linda e enorme maçã do amor e passar
o dia brincando de bonecas.....
Quero encontrar o papai noel, a fada
dos dentes e brincar de pega-pega com
o coelhinho da páscoa....
Eu sei Papai do céu, que talvez
eu não mereça essa benção,
mas eu prometo ser uma
boa criança se o Senhor me
ajudar a crescer.......

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Bad news: love can't save you!


Nothing outside me can save my soul.
This pain is mine, only.
I'm not waiting your help....I know how
busy you are....
There isn't time for ilusions and lies.
So free and alone with my heart.
Don't ask me about tears.
Forget the bad things, if possible.
Somewhere in the past there were
happy moments.
People always leave,
Feelings often change.
This is the real life.
By the way, we are alive.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Constantes outonos.....

As minhas ilusões......
Todas estão a cair da árvore, no permanente
outono do meu ser.
Quimeras vãs no entardecer de tantos
sonhos.
Fico a pensar se outras folhas brotarão
de antigos galhos, cujo tronco já está demasiadamente
marcado pelas tempestades e vicissitudes da vida.
Mesmo quando o solo é fértil, há que
se cuidar dos brotos, pra quem venham as
flores e os frutos.
Sou um cerrado de emoções: solo árido e de difícil cultivo, com uma floresta imensa e caudalosa em seu interior.
Raízes profundas e intensamente ramificadas......ávidas por vida e energia......
Terra de ninguém......território devastado pelo fogo das incessantes inquietudes, ânsia de encontrar algo que não se sabe ao certo o que é........
As folhas bailando ao vento....tão leves e livres que se esquecem de que foram há pouco: reféns, presas nos galhos da minha árvore, no constante outono deste
meu viver....

domingo, 13 de junho de 2010

Lágrimas Ocultas




Lágrimas Ocultas

Florbela Espanca

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!





Princesa Desalento



Minh'alma é a Princesa Desalento,

Como um Poeta lhe chamou, um dia.

É revoltada, trágica, sombria,

Como galopes infernais de vento!



É frágil como o sonho dum momento,

Soturna como preces d'agonia,

Vive do riso duma boca fria!

Minh'alma é a Princesa Desalento…



Altas horas da noite ela vagueia…

E ao luar suavíssimo, que anseia,

Põe-se a falar de tanta coisa morta!



O luar ouve a minh'alma, ajoelhado,

E vai traçar, fantástico e gelado,

A sombra duma cruz à tua porta…



(Florbela Espanca, «Livro de Soror Saudade», in «Poesia Completa»)



[ CITI ]

domingo, 6 de junho de 2010

Um olhar sobre Israel

POEM "JERUSALEM" - WILLIAM BLAKE





POEM AND HAND-PAINTED

BY WILLIAM BALKE














HAND-PAINTED BY WILLIAM BLAKE



JERUSALEM THE EMANATION OF THE GIANT ALBION AND ONE THE STOOD FORTH, TOP TO BOTTOM, LOS SUPPORTED BY CHRIST; ALBION'S BURIAL IN THE SEPULCHER, 1804.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tricotando meus pensamentos......



Faz algum tempo que redescobri o prazer das artes manuais, principalmente a pintura, o crochê e tricô.
Pode ser a necessidade de trabalhar com liberdade e criatividade, tudo que não é permitido no universo jurídico, circunscrito por leis, normas e procedimentos que se repetem e se retroalimentam.

Há modelos a serem seguidos, regras que devem ser observadas e a ritos a serem seguidos, tudo em consonância com um sistema autopoietico e preestabelecido.
Já com as agulhas e sou livre para criar......sou eu quem decido o que fazer, como, pra que, pra quem e quando.

Eu escolho a textura da lã, a cor e passo a tecer minha obra de arte, sempre única, primeira e definitiva, mesmo que eu faça mais mil vezes aquela mesma peça.....nunca uma é igual a outra, pois é diferente o sentimento, a emoção e o momento da confecção.

Geralmente quando estou a tricotar fico entrelaçando meus pensamentos junto com os fios da lã......enquanto o novelo vai desenrolando, vou desembaraçando meus ais e minhas agonias.....a cada laçada, vou amarrando minhas ansiedades e desilusões e prendendo tudo numa mesma carreira.

Assim como na vida, trabalho muito com pontos altos e baixos....às vezes a linha embaraça e eu acabo perdendo a paciência..... largo tudo e deixo passar a raiva.....depois volto e, com toda a calma do mundo, desfaço todos os nós, um a um, pois sei que a qualidade da peça depende muito do material usado e sua aparência.


Tal qual uma aranha vou tecendo a minha teia e nela deposito minha esperança e meus sonhos......ao término de cada trabalho eu sempre me surpreendo com a beleza da peça tecida. Descubro, encantada, que de um punhado de lã toda enroladinha posso fazer coisas líndissimas....ou não, depende de mim o resultado....só de mim, não da lã.....ela está sempre lá, esperando para ser utilizada, a forma depende de cada artesão.
É nesse vai e vem das minhas agulhas que vou encontrando muito das respostas que busco, dentro e fora de mim.
No mesmo momento em que ocupo minhas mãos e meus pensamentos, sinto uma paz imensa no coração.....é como um resgate do que fui, um afago no que sou e um abraço gostoso no que ainda poderei ser.
Sigo, feliz, tricotando a vida.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ética volátil: argumentos retóricos e falaciosos escondem a ausência da moral e da Justiça



A verdade não é monopólio meu.
Busco ser leal e íntegra, na vida pessoal e profissional, refletindo os valores e princípios éticos forjados em mim, pelas mãos amorosas e calejadas de meus pais.
Não sou adepta a discursos rebuscados, sou clara e direta, sempre. A arte da retórica nunca me seduziu. Esconder-se nas palavras e nas alegorias aporéticas da miséria humana, figindo-se bastião e arauto do Direito, da Moral e da Justiça, revela a ética volátil e o caráter duvidoso de alguns manipuladores (não operadores) do direito.
Usam do sistema para alimentar suas insanas vaidades e não para fazer valer o direito daqueles que representam. Buscam brilhar na carreira, um lugar mais destacado, menos contribuir para a realização da Justiça.
Querem passar a imagem de grandes pensadores e intelectuais do Direito, cigarras da modernidade.....de tanto conteúdo jurídico chegam a cheirar mal.....egos inflados que implodirão na estratosfera, pobres e sozinhos.
Ainda me espanto e me horrorizo diante destes ávidos abutres de si e dos outros.
Retrato desolador esse.......espectros de homens que se alimentam de orgulho e egoísmo, encalhando suas almas nos pântanos da existência humana, esquecidos do compromisso que assumiram com o BEM, com o DIREITO e com a JUSTIÇA.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Eu sou mais eu, sempre!!!!!


VERSOS DE ORGULHO
FLORBELA ESPANCA
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque meu reino fica para além.....
Porque trago no olhar os vastos céus
E os ouros e clarões são todos meus
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo? O que é o mundo ó meu Amor?
- O jardim dos meus versos todo em flor....
A seara dos teus beijos, pão bendito......
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços....
- São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Lactea fechando o Infinito.

domingo, 23 de maio de 2010

Necessidade X Prazer



Nem tudo o que faço é por prazer ou por gosto.
Algumas atitudes são necessárias, embora pouco prazerosas, tais como: odeio atividade física: faço por pura obrigação....a caminhada é um martírio e o pilates, uma cruz!!!!!
Por outro lado, "quase tudo o que eu gosto é imoral, ilegal ou engorda", então, deixo de lado muitos prazeres......
Será que viver é isso: dar bom dia pra quem não gosto, comer sem vontade aquela salada imensa, caminhar por pura obrigação, deixar de comer pão no café da manhã, sorrir quando eu quero chorar......aonde tudo isso vai me levar????
Sobrevivo "domando" minha fera interior e, na tentativa de não perder a verdadeira essência do meu ser questionador, inconformado e impaciente, adormeço e amorteço a minha dor!
É chegada a hora de decretar o fim do auto-flagelo que "escolhi" para disfarçar e mudar o foco do meu sofrimento......o engodo não é durável e só faz aumentar a certeza de que nada mudou.
A batalha é diária.....estou cansada e preciso repor minhas energias, pois tenho pela frente uma semana de muitos desafios e "combates".......alguns moinhos de vento, uns poucos fantasmas e muita gente de carne e osso pra "domesticar".