quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ao Mestre com carinho.

Na vida dei a sorte de ter professores maravilhosos, que me ajudaram a ver mundo de outra forma.
Estudei em várias escolas públicas da periferia de São Paulo e, como a maioria dos egressos de tal sistema, me aguardava um futuro em preto e branco.
Como era de se esperar, não ingressei em nenhuma universidade pública, tampouco, pude estudar naquelas faculdades privadas famosas......
Desde cedo compreendi as dificuldades e o cenário desigual em que estava inserida. Tinha a exata noção de que só escaparia do "inexorável destino" das "pessoas sem" (sem recursos, sem instrução, sem preparação adequada para ocupar boas colocações no mercado de trabalho, sem curso de línguas, sem competitividade, sem cultura, sem futuro.....)
se tivesse força suficiente para romper o círculo vicioso já instalado desde a época de meus antepassados, pobres e miseráveis italianos, que deixaram a terra natal (assolada pela guerra, pela fome, pelo facismo) e, durante 1 mês suportaram todos os tipos de vicissitudes nos porões fétidos do Vapor Accordat até desembarcarem seus sonhos no Porto de Santos, em São Paulo. Escravos brancos nas lavouras cafeeiras do interior paulista......humilhados e desterrados. Alma e coração destroçados.

Diante de tal herança, resolvi transformar toda minha revolta e inconformismo em energia para transpor todos os obstáculos (pobreza, saúde frágil, vácuos de cultura e conhecimento, etc). Nessa luta insana fui muito bem "treinada" por Mestres Maravilhosos, minha mãe que me ensinou a ler e escrever aos 5 anos, o que me possibilitou ingressar na escola com 6 anos, a professora do primário, Sakae Sukissake (a Japa vivia implincando com a minha saia curta), no curso técnico em Secretariado, a Professora Madalena, quem além de taquigrafia, ensinava como ser uma secretária de sucesso sem precisar "sentar" no colo do chefe! Na faculdade, no curso de Letras, o saudoso Naif Safad, e a inesquecível, Bradamante Polimeno, que me apresentou os versos de Florbela Espanca e de Fernando Pessoa. Por fim, no curso de Direito, o Prof. Airton que, durante uma aula "in loco" de medicina legal, autopsiava o corpo de um menino de 5 anos e discorria sobre a possibilidade de existência ou não de vida após a morte.........sobrevivência da alma, tudo muitoooo científico e bem apropriado para o momento que vivíamos. Além dos Mestres dos bancos acadêmicos, tive ótimos professores "de vida", em especial, um ser iluminado que me guiou nos labirínticos caminhos do amor e do ser. Eu não sabia, mas ele me preparava, desde àquela época, para viver este grande amor de hoje. Com ele aprendi que a amizade é a forma mais pura de amor. Junto dele despertei para a metafísica, Chico Xavier, Trigueirinho, Allan Kardec, entre outros. Foi nesta época que conheci, por indicação sua, a música de Mike Oldfield, Joy Division, Kitaro, Carlos Nakai, Vangelis e muitos outros. Grata meu amigo e mestre. Sou sua eterna discípula. Na atualidade, o Prof. Carlos Ilha me encantou com sua "arte da escutatória". Eu que fui fazer o curso para melhorar minha oratória, acabei aprendendo que a "escuta ativa" é a chave para o bom relacionamento (pessoal, profissional, familiar).

Sempre digo que nasci para aprender.....sou uma ótima aluna, talvez seja esse desejo incontido de conhecimento é que me impulsione a viver e encontrar, nos mais diversificados campos, Mestres Maravilhosos.







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