sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A difícil tarefa de aceitar o outro



Um dois maiores desafios da vida é aceitar o outro como ele verdadeiramente é.....com suas circunstâncias, pré-conceitos, limitações e perspectivas diferentes de ver as coisas.
Contemplar o outro na sua existência única e irreptível, sem a deformação das lentes daquele que quer conformar tudo a sua própria imagem e prazer.
Existem mulheres hábeis em transformar seus príncipes em sapo e, da mesma forma, homens que transmutam suas princesas em bruxas. É simples demais.
Isso é comum quando se faz do outro uma propriedade particular, com posse e usufruto nem sempre pacíficos e justos. Não há amor, sequer a liberdade de ter as próprias opiniões é permitida. É um cárcere emocional, uma prisão com grilhões invisíveis, porém, unipresentes.
Estranho como esses relacionamentos são viciantes, altamente viscosos e construídos para eliminar a resistência de suas vítimas, tal qual uma teia de aranha. Cria-se uma dependência tão grande, que o ser subjulgado chega a adoecer quando tenta romper com o ciclo de desamor.
Cuidar dessas lesões afetivas pode levar a energia de uma vida toda.
Nesse cenário, quando eu aceito o outro sem querer mudá-lo em essência, reafirmo minha própria condição humana de imperfeição, admito minha total incompetência para transformar a natureza divina daquele que está ao meu lado. Pode ser um instinto de auto-preservação, talvez o receio de que, mudando o outro, reflexamente estarei perdendo-o e me perdendo.....não sei ao certo .
Sigo em frente sem querer correr estes riscos.

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