quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Medusa Moderna


Eis como sinto-me hoje: a medusa moderna.
As serpentes interiorizaram-se e fizeram ninho em minha mente,
lugar propício para manterem-se vivas, vorazes e atuantes, sem serem
notadas pelos proto-Perseus.
A profusão de pensamentos representada pelos fartos cabelos de cobra,
o mito e a força do feminino.
As habilidades de uma górgona que não dá conta de resolver seus próprios
conflitos existenciais e refoge-se na figura de um monstro mitológico um tanto
quanto mal compreendido, já que na verdade era uma deusa, uma tríade, antes nascida
bela donzela. Aterrorizante tornou-se só depois, porém, manteve-se encantadora.
O escudo, o amuleto, àquela de cuja morte extraiu-se outras vidas magníficas....não há o que temer, pois morre-se um pouco a cada dia.
Diferente do mito, não trago no olhar o desamor paralisante e já não mato àqueles a quem amo, pois aprendi que este é o alimento primordial da minha alma.
Salvou-me a poesia, o Pegasus que alçou-me ainda petiz das entranhas da escuridão. Minha redenção.
É no escudo do seu olhar que vejo minha imagem refletida e esta visão liberta-me de todo
cárcere, ungindo a minha fronte com o bálsamo do amor e da compreensão.
Sou uma simples mortal que foi tocada pelo sentimento divino de um deus.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Io sonno tutti le cosi


 
“Io sono l’assurdo che si materializza.
 Io creo mondi possibili e ci cammino dentro,
 li guardo, li tocco, ci viaggio,
 ed essi hanno la stessa consistenza di quelli reali.
 Io sono l’improbabile che aquista un senso,
 gioco con fili di parole leggeri come nuvole
 che diventano abiti, su misura.
 Ed essi vestono personaggi
 irreali e folli, che sfilano per il mondo
 inconsapevolmente portando me
 sulla loro pelle.
 Perchè in ogni opera c’è dentro della vita.
 Ogni parola è creata da un uomo
 al pari di una lacrima.
 Io sono il virtuale
 che si attualizza
 inaspettatamente.”
 (Anton Vanligt) da "Mai Troppo folle"

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sou tantas....

 
(...) "Eu sou três, dependendo da pessoa que me procura. A menina ingênua, que fica olhando o homem com admiração, e finge estar impressionada por suas histórias de poder e de glória. A mulher fatal, que logo ataca aqueles que se sentem mais inseguros, e ao agir assim, tomando o controle da situação, os deixa mais à vontade, porque eles não precisam se preocupar com mais nada. E, finalmente, a mãe compreensiva, que cuida dos que estão precisando de conselhos e escuta, com um ar de quem compreende tudo, histórias que estão entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Qual das três você quer conhecer? (...) Embora na minha alma, eu seja uma filha que precisa de carinho." (...)

Paulo Coelho, em Onze minutos.

A lucidez que me cala....


“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: Pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: Que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.” (Clarice Lispector)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Humor: Ria dos Críticos

Escrevi há algum tempo que o universo cibernético abriu espaço para todo tipo de informação, algumas confiáveis, outras nem tanto....ganhou-se em amplitude, não em profundidade. Da mesma forma, nas redes sociais podemos observar seres de todas as espécies, inclusive os famosos "sabichões", "donos-da-verdade" que passam o dia em  frente à tela do computador vociferando contra tudo e todos que ousem divergir de suas "pérolas diárias de sabedoria". Neste caldo cultural também destacam-se as figuras que gostam de dar pitaco em tudo, os críticos de plantão, cujas análises variam sobre os mais diversos temas....de A a Z..... cuidado, se você chamá-lo de Google, ele atende rsrsrsrs

Falando em críticos profissionais, dia desses li um post muito legal no blog tudoemcima.blogspot.com e resolvi compartilhá-lo, aqui, pois ele traz um resumo muito detalhado desta "casta" de semideuses e, é de bom tom saber como agir diante de tão sábias figuras.......Ai vai:



Vamos ser francos: não existe nada mais patético do que “críticos profissionais” que se levam a sério. Enquanto milhares de pessoas ganham a vida produtivamente construindo pontes, realizando cirurgias cardio-vasculares, entregando cartas, escrevendo livros ou retirando os lixos das ruas, existem certas pessoas que vivem de “tecer opiniões sobre o trabalho dos outros”.

Não que tenhamos algo contra a expressão de opiniões, algo normal e até louvável. O problema começa quando uma parcela da população passa a ganhar dinheiro fazendo isso e, tristeza das tristezas, passa a acreditar piamente que essa profissão é realmente algo de vital importância para a raça humana, a ponto de merecer respeito ou mesmo admiração incontestes!

Mas é fácil entender porque os tais “críticos profissionais” são, com raras exceções, tão virulentos e ferozes ao defender a sua maneira de ganhar o pão de cada dia. Imagine só como fica a cabeça de uma pessoa que, no fundo, sabe que é apenas um pária social, um tipo de sangue-suga, que passa a vida tendo que tecer opiniões (geralmente negativas) sobre o trabalho produtivo realizado pelos outros - o qual (via de regra) ele não seria capaz de realizar.

Deu pra sentir a que níveis vão a insegurança, o medo e a falta de auto-estima dessas pessoas? Se não bastasse todos nós termos que lidar com esse tipo de limitação psicológica (inerente à espécie humana), pense como seria viver todos os dias sabendo que seu salário mensal depende, única e exclusivamente, do suor de outras pessoas que você nem conhece!
E eu sei do que estou falando, pois exerci por alguns meses a função de "crítico" para um site que gostava. Posso dizer que senti na pele como esse negócio de "exprimir opiniões em público" pode subir à cabeça e deixar você intolerante à opiniões contrárias e críticas ao que escreveu. E olha que eu nem era "profissional", fazia aquilo por puro hobby apenas para tentar ajudar um site bacana que estava falido, sem receber nada em troca... Felizmente percebi isso há tempo e pulei fora, voltando meu foco para realizações profissionais e pessoais mais gratificantes.
Sacou agora porque os ditos “críticos profissionais” são, em geral, assim tão cheios-de-sí e arrogantes e porque temos que sentir pena deles e não raiva? Não? Então vamos facilitar ainda mais a sua vida, tentando dissecar abaixo os vários tipos deles que existem por aí para que possa entender melhor o que se passa na cabeça desse estranho povo! Você certamente já conheceu algum ou já leu algo que um deles escreveu. Importante notar que, normalmente, eles possuem todas as características listadas abaixo, embora uma delas vai se sobressair em cada uma dessas figuras bisonhas.

1) CRÍTICO-DEUS: É o tipo mais patético e, também, o mais perigoso. Dono de uma imensa insegurança e de um gigantesco complexo de inferioridade, o “Crítico-Deus” se reveste com o famoso escudo de dono da verdade para tentar desviar a atenção da sua frágil condição psicológica. É o “sabe tudo”, cuja sapiência e compreensão dos fatos estão além do que o resto dos mortais sequer sonha em conhecer. Esse tipo de pessoa julga-se em contato direto com o “Deus das Artes”, fato que o permite fazer análises sublimes e intocáveis sobre qualquer obra - as quais, por sinal, eles fariam bem melhor caso quisessem ou tivessem tempo. Para esse tipo de profissional, “uma crítica não é uma opinião” (sic). Portanto, jamais ouse discutir, muito menos contrariar, o “Crítico-Deus”, pois ele será capaz de ter reações extremamente violentas e ferozes, do tipo escrever textos gigantescos, cheio de pseudo-ironias e auto-indulgência só para tentar denegrir a opinião de quem não concordou com ele ou ousou apontar um erro que cometeu em alguma análise!

2) CRÍTICO-AMIGO (ou CRÍTICO-VASELINA): Esse é o crítico que mais faz rir involuntariamente. Dono de um complexo de inferioridade astronômico que o leva a ter uma necessidade patológica por aprovação, o “Crítico-Amigo” traveste suas opiniões com todo o tipo de “fofuras” e comentários simpáticos. Assim, ele pensa, vai ser mais fácil todo mundo gostar dele e aprová-lo. “Vejam como sou boa-praça”, parecem querer dizer. O problema começa quando o “Crítico-Amigo” tem que falar mal de uma obra de arte. Aí, via de regra, ele vai escrever um texto imenso, no qual vai intercalar cada comentário negativo com cerca de dois parágrafos onde vai explicar detalhadamente porque está sendo tão “vilão”, praticamente pedindo desculpas aos que eventualmente gostaram da obra e que, por causa do seu comentário negativo, podem vir a não aprová-lo. Todavia, não se engane: todo “Crítico-Amigo” é, no fundo, um “Crítico-Deus” disfarçado. Se duvida, aponte em público erros que ele cometeu em suas análises ou discorde frontalmente do que ele disse com uma opinião convicta e isenta de “floreios”. A carapuça de “amigo de todos” dele vai sumir rapidinho e o ataque será mais cruel do que o de uma hiena esfomeada!

3) CRÍTICO-PIMBA: Para quem não sabe, PIMBA quer dizer “Pseudo-Intelectual-Metido-A-Besta”. Como a própria definição já deixa clara, esse tipo de crítico tenta disfarçar sua insegurança, ignorância e medo com um linguajar rebuscado, ininteligível e, via de regra, sem sentido (a não ser para ele e para meia dúzia de CDFs que vão ao mesmo cine-clube). Felizmente esse tipo de técnica já ficou por demais manjada, tornando os “Críticos-Pimba” motivo de chacota para quase todos. Todavia, existem algumas pessoas, cuja auto-estima é ainda menor do que a deles, que ainda se impressionam com o tipo de coisas que escrevem, tais como: “olho-matéria”, “dicotomia”, "estética da fome", “dialética”, “sincretismo”, etc... Quando ele toma contato com uma obra pretensiosa e badalada que não entende ou que simplesmente não faz sentido, diz que é "genial" e então copia o que está escrito no press-release dela ou então o que leu em alguma entrevista com o autor. Cinemão de Hollywood e qualquer outro tipo de arte popular ou de entretenimento serão sistematicamente odiados por esse tipo de crítico. Jamais fale mal de um filme de David Lynch, do “cinema asiático”, do Gerald Thomas, do grupo YES ou da 9ª Sinfonia de Shostakovsky perto de um “Crítico-Pimba”, caso contrário ele vai desprezá-lo para o resto da sua vida... pensando bem, fale mal sim!

4) CRÍTICO-POLIANA: Esse exemplar de crítico nunca vê maldade em nada que lê ou assiste, muito menos acha que filmes, livros ou músicas podem trazer mensagens danosas para a sociedade. “Rambo II”, para eles, é somente um filme de aventuras bacana, enquanto artistas ou pensadores como Michael Moore, Noam Chomsky ou Oliver Stone são apenas paranóicos. “Críticos-Poliana” normalmente gostam de tudo, até do filme "Mulher-Gato", do ator Steven Seagal, das músicas dos Carpenters e das novelas da rede Globo! São ideais para trabalhar em revistas como "Veja", "Contigo", "Caras", "Set" e outros veículos cujos donos preocupam-se mais com prestígio do que com conteúdo de qualidade...

5) CRÍTICO-SINÓPSE: Você já leu uma crítica que é, basicamente, um resumo da história apresentada na obra? Então você conheceu um “Crítico-Sinopse”, que é uma variação do “Crítico-Amigo”, só que bem mais ameno. Inseguro de suas opiniões e desesperado para esconder o fato que nada entende sobre o que está falando, esse tipo de profissional da crítica limita-se a contar a trama da obra do começo ao fim, repetindo até frases e diálogos para mostrar que realmente estava atento ao que via. É comum também ele enumerar "citações" de outras obras que pensa ter vislumbrado no material que está analisando (assim vão achá-lo culto, sonha). Muito raramente o “Crítico-Sinopse” até se arrisca a colocar alguma opinião concreta sobre o produto no final de seu texto, mas via de regra você vai terminar de ler tudo que ele escreveu e se perguntar: “Afinal, esse cara gostou ou não da obra?”. A única vantagem do “Sinópse” sobre o “Amigo” é que ele vai fugir de polêmicas como o diabo foge da cruz, enquanto o segundo vai virar “Deus” ao ser contrariado e contra-atacar violentamente.

6) CRÍTICO-DIVA (ou CRÍTICO-ESTRELA): é do tipo que se julga tão ou mais importante que os verdadeiros artistas sobre o qual escreve. Nunca ligue um holofote ou aponte um microfone para esse tipo de profissional, pois ele vai se abrir todo como um pavão enamorado. O “Crítico-Diva” é uma celebridade, ao menos na cabeça dele, e ponto final. É inútil tentar convencê-lo do contrário. Seus textos geralmente são recheados de auto-adulação, comentários pessoais (do tipo "...quando entrevistei o ator Fulano em Cannes"), fofocas picantes sobre celebridades e referências maldosas a partes do corpo dos artistas em questão. Outra particularidade: se alguma celebridade não der a ele a devida atenção que pensa merecer, o "Crítico-Diva" vai passar a falar mal de qualquer trabalho no qual essa pessoa estiver envolvida!

7) CRITICUZINHO: o advento da internet trouxe várias vantagens para todos - democratização da informação, contato direto com pessoas do mundo inteiro, pornografia gratuíta, etc. Mas como nem tudo são flores, a internet também gerou um novo tipo de celeuma social: adolescentes problemáticos e carentes com excesso de tempo livre passaram a usar a rede como forma de descontar suas frustrações e traumas em tudo quanto é fórum de discussões, blogs ou qualquer outro lugar que possam enfiar suas palavras. E, como era de se esperar, muitas dessas pessoas com excesso de hormônios e nada de sexo julgam-se críticos de arte só porque assistem tudo quanto é filme ou leram todos os livros do "Harry Potter". Assim, espalham suas "críticas" pela net e, pior de tudo, muita gente acaba levando a sério as asneiras que escrevem e alguns, pasmem, chegam até a publicar seus textos em sites pretensamente sérios! Aviso: ao encotrar um tipo desses, fuja depressa, caso contrário ele vai te perseguir até o final dos tempos via email, criando blogs do tipo "eu odeio você!", etc. Que falta que faz um(a) namorado(a), não?
8) CRÍTICO-ARTISTA: sabe aqueles artistas frustrados, que tentaram mas não conseguiram seguir carreira no meio? Muitos percebem que não sabem fazer mais nada na vida e então viram "críticos" para, pelo menos, ficarem próximos do mundo ao qual não conseguiram fazer parte. Os textos desse tipo de profissional da opinião são fáceis de reconhecer, pois são sempre escritos na primeira pessoa e analisam a obra em questão a partir do seguinte ponto de vista: "como tudo teria sido (melhor) se fosse eu quem a tivesse realizado, caso minha agenda não fosse tão lotada".
Mas, agora, você deve estar se perguntando: "Quer dizer então que nenhum crítico presta?". Claro que sim! Conheça-o abaixo:
8) CRÍTICO-DECENTE: Esse é o único tipo de crítico que se pode levar a sério e, por isso mesmo, cada vez mais raro de se encontrar na mídia. Cientes da sua condição de meros tecedores de opinião sobre o trabalho alheio e das suas próprias limitações humanas, o “Crítico-Decente” fala sobre a obra de arte levando em conta a sua própria visão de mundo, sem delongas e sem disfarces. Esse profissional sabe que o que escreve pode servir, no máximo, como base e referência para pessoas que buscam saber mais sobre arte em geral, mas também gostam de ler ou ouvir uma opinião sincera, clara e confessadamente parcial. Ele sabe que uma crítica é somente uma opinião e, por isso, faz de seu trabalho algo agradável e bem humorado, ficando aberto a réplicas e sem medo de dialogar com o interlocutor, podendo até aprender algo novo neste processo. Todos os outros tipo de críticos listados acima (especialmente o "Deus" e o "Amigo") simplesmente “estrebucham” na presença de um “Crítico-Decente” e, via de regra, fazem de tudo para desacreditá-lo publicamente, como se isso fosse suficiente para garantir a sobrevivência deles e anular suas frustrações e inseguras pessoais. Tendo em vista que a maioria dos veículos de comunicação é dominado por pessoas extremamente mal resolvidas e sem auto-estima, é compreensível que profissionais como o listado acima encontrem cada vez mais portas fechadas ao seu trabalho...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O problema é um tônico para o ego - Osho



O ego não se sente bem, à vontade, com montículos; ele quer montanhas. Mesmo se isso for uma miséria, não deve ser um montículo, deve ser um Everest. Mesmo que isso seja miserável, o ego não quer ser ordinariamente miserável; ele quer ser extraordinariamente miserável.

As pessoas continuam sempre criando grandes problemas do nada. Eu tenho conversado com milhares de pessoas sobre os problemas delas e realmente não encontrei ainda um problema real! Todos os problemas são falsos – você os cria porque sem problemas você se sente vazio. Não há nada para fazer, nada com o que lutar, nenhum lugar para ir. As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um psicanalista para outro, de um grupo de encontros para outro, porque se não forem, eles se sentem vazios e subitamente, sentem que a vida é insignificante. Você cria os problemas para que você possa sentir que a vida é um grande trabalho, um crescimento, e que você precisa lutar muito.

O ego só pode existir quando existe luta, lembre-se – quando ele luta. E se lhe digo, ‘Mate três moscas e você ficará iluminado, você não irá acreditar em mim. Você dirá, ‘Três moscas? Isso não parece muito. E ficarei iluminado? Isso não parece ser inverossímil. Se eu disser que você terá que matar setecentos leões, é claro que isso parece mais! Quanto maior o problema maior o desafio...E com o desafio surge seu ego, ele paira nas alturas. Você cria os problemas. Eles não existem.

Os padres, os psicanalistas e os gurus – eles estão felizes porque todo o negócio deles existe por sua causa. Se você não criar montículos do nada e você não transformar seus montículos em montanhas, qual o sentido de gurus lhe ajudarem? Primeiro você precisa estar na condição de ser auxiliado.

Os mestres verdadeiros dizem outra coisa. Eles dizem, “Por favor, vejam o que você está fazendo, que bobagem você está fazendo. Primeiro você cria um problema, depois você vai em busca de uma solução. Apenas veja que você está criando o problema, exatamente no princípio, quando você estiver criando o problema, essa é a solução – não o crie!” Mas isso não lhe agradará porque então você está subitamente voltando para si mesmo. Nada para fazer? Nada de iluminação? Nada de satori? Nada de samadhi? E você está profundamente cansado, vazio, tentando preencher-se com qualquer coisa.

Você não tem nenhum problema; somente isso precisa ser entendido. Agora mesmo você pode deixar todos os problemas porque eles são criações suas. Dê outra olhada nos seus problemas: quanto mais profundamente você olhar, menores eles parecerão. Continue olhando para eles e aos poucos, eles começarão a desaparecer. Prossiga olhando e subitamente você descobrirá que há uma vacuidade... Uma bela vacuidade lhe cerca. Nada para fazer, nada para ser, porque você já é isso.

Iluminação não é algo a ser alcançado, é somente para ser vivido. Quando digo que alcancei a iluminação, estou simplesmente dizendo que decidi viver isso. Já chega! E desde então tenho vivido-a. É uma decisão de que agora toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções acabou.

Toda essa bobagem é um jogo que você está jogando consigo mesmo: você mesmo está escondendo e você mesmo está procurando, você é ambas as partes. E vocês sabem disso! Eis porque quando digo isso vocês riem, dão risadas. Não estou falando sobre alguma coisa ridícula; vocês o compreendem. Vocês estão rindo de si mesmos. Apenas observem a si mesmos rindo, apenas olhem para seus próprios sorrisos; vocês o compreendem! Isso tem que ser assim porque é seu próprio jogo: você está escondendo e esperando que você mesmo seja capaz de procurar e encontrar a si mesmo.

Você pode encontrar a si mesmo agora porque é você que está escondendo. Eis porque os mestres Zen prosseguem batendo. Sempre quando alguém chega e diz, “Eu gostaria de ser um Buda”, o mestre fica muito zangado. Porque ele está pedindo uma bobagem, ele é um Buda. Se Buda chegar para mim e perguntar como ser um Buda, que devo fazer? Irei bater na cabeça dele. “A quem você pensa que está enganando? Você é um Buda!”

Não crie problemas desnecessários para você. E o entendimento descerá sobre você se você observar como você torna um problema cada vez maior, como você o engendra, e como você ajuda a roda a girar cada vez mais rápido. Assim de repente, você está no topo da sua miséria e você está necessitando da simpatia do mundo inteiro.

O ego precisa de problemas. Se você compreender isso, na própria compreensão as montanhas viram montículos novamente, e então os montículos também desaparecem. Subitamente há vacuidade, pura vacuidade por toda parte. Isso é tudo o que a iluminação é – um profundo entendimento de que problemas não existem. Assim, sem nenhum problema para resolver, o que você vai fazer? Imediatamente você começa a viver. Você irá comer, irá dormir, irá amar, irá bater papo, irá cantar, irá dançar. O que tem mais para fazer? Você se tornou um deus, você começou a viver!

Se as pessoas pudessem dançar um pouco mais, cantar um pouco mais, serem um pouco mais malucas, a energia delas estaria fluindo mais, e os problemas delas irão desaparecer aos poucos. Daí eu insistir tanto na dança. Dance até o orgasmo; deixe que toda a energia se torne dança e subitamente, você verá que você não tem nenhuma cabeça. A energia presa na cabeça se move ao redor, criando belos padrões, pinturas, movimentos. E quando você dança chega um momento que o seu corpo não é mais uma coisa rígida, se torna flexível, fluido. Quando você dança chega um momento quando sua fronteira não está mais tão clara; você se funde e se dissolve com o cosmos, as fronteiras ficam misturadas. Assim você não cria qualquer problema.

Viva, dance, coma, durma, faça as coisas tão totalmente quanto possível. E lembre-se sempre: quando você flagrar a si mesmo criando algum problema, dê o fora dele, imediatamente."

Osho, Extraído de: Ancient Music in the Pines

sábado, 28 de janeiro de 2012

Vizinhos: ilustres desconhecidos.


Boa parte dos conflitos que desaguam no Juizado Especial Criminal nascem da dificuldade que as pessoas têm de relacionarem-se entre si, o que gera as desavenças familiares, os desentendimentos entre vizinhos, as rusgas profundas entre colegas de trabalho.
Realmente não é fácil a convivência com o outro, contudo, somos animais visceralmente sociais e precisamos do outro para sobreviver, nem que seja só para devorá-lo!!!!!
Brincadeiras à parte, diante da incontestável dificuldade de conviver com outro, segue abaixo um texto muito interessante que propõe uma reflexão sobre os nossos desconhecidos e distantes "vizinhos".

Um muro de enorme distância
by sociadalight.blogspot.com

Outro dia uma conhecida convidou para visitar a casa dela. Lindo prédio, maravilhoso apartamento, daqueles com mil cômodos, salões coletivos de tudo quanto é coisa, quadras, piscinas, pistas de caminhada... devia ter até um portal mágico pro paraíso, mas esse eu não vi. Lá pelo meio do já manjado "tour-pela-casa-nova-não-repara-a-bagunça", a moça me diz assim: "é uma delícia aqui. São dois por andar, mas as entradas são independentes e eu nem vejo quem mora ali ao lado".

Ela não disse por mal, claro. É uma ótima pessoa, muito gentil e generosa. Ela só quis dizer que a privacidade do lugar era mesmo um espetáculo. Eu até aceito que muito adorem isso, essa separação de entradas, paredes desconectadas, muros altos e a chance de jamais saber que cara tem o vizinho. Aceito, mas não entendo bem.

Pra maioria de nós, o vizinho é o humano não-família mais próximo que existe. O núcleo familiar de fato fica ali, dentro da residência, mas o restante dos parentes mora em outras ruas, bairros, cidades e até estados e países. Eu, por exemplo, estou a 33km em linha reta ou 1h20 de tráfego intenso da casa da minha mãe. Se me faltar um ovo pro bolo já batido ou se me dá um troço nas costas, adianta nada ligar lá pra santa mãe, viu... Até ela checar, o bolo já desandou e o travamento ortopédico pode me deixar pra sempre com a postura do Quasímodo.

A pessoa mais próxima, aqui ao lado, é o Marcelo. Marcelo é meu vizinho de porta, é artista famoso, toca muitos instrumentos e reclama bastante das portas que o povo do prédio deixam abertas. Marcelo também viaja muito se apresentando, então não contamos um com o outro pra coisas práticas. Mas sempre batemos um papo sobre música, sobre o Rio de Janeiro, sobre o calor/frio horrendo que vem fazendo.

Saber que cara o Marcelo tem, como o cabelo dele fica zoneado de manhã (ó, eu só sei porque às vezes nos vemos quando eu vou tirar o lixo, hein?!) ou o que ele acha das UPPs não compromete em nada a minha privacidade. Eu sei algo dele, ele sabe algo de mim e, precisando, temos os telefones um do outro - pra caso de "Flávia, seu apartamento virou uma bola de fogo!", quem sabe.

Além do Marcelo tem a Dona Lucy, que mora aqui abaixo e já recebeu muita encomenda pra mim (e eu pra ela). Tem a Flávia, que divide o apê com a Juliana, e são duas meninas fofas e que recebem amigos bonzinhos que não fazem farra. Tem a Isabel, seu marido e seus três cãezinhos no térreo, vizinha de porta com a Rosinha e o Jefferson, dois figuras de marca que às vezes queimam o almoço de domingo por estarem ligados no futebol.

Eu sei algo dos meus vizinhos, de seus hábitos, de seus gostos e suas vidas no geral. Não precisamos ver uns aos outros de pijama - mas já até aconteceu. Não é questão de um se meter na vida do outro ou invadir espaço, mas somos uma coletividade, não tem como negar.

Eu sei qual TV a cabo eles assinam, qual banco utilizam e onde compram roupas - tudo pela mesa de correspondência. Sei algumas músicas que escutam, sei uns paus que rolam quando brigam, sei que carro dirigem (e como estacionam mal na garagem, putz...). Saber tudo isso, saber os rostos deles e estar aqui caso dê uma grande merda faz parte de sermos uma comunidade. Eu acho bom isso.

Antigamente algumas pessoas viviam em vilas e partilhavam tanto xícaras de açúcar quanto a hora de olhar as crianças brincando na rua. Todo mundo estava ali pra todo mundo, as casas mantinham portas abertas e janelas boas pra apoiar o cotovelo e trocar uma ideia. Hoje quase não se trocam mais ideias. E se o vizinho de condomínio toca a campainha pra pedir um sonrisal, já é motivo pra pânico.

Uma besteira isso. Nós, pessoas, dependemos umas das outras. E se existem pessoas que podem acompanhar nossa rotina de perto nas horas boas e ruins - e ainda regar nossas plantas e evitar que elas virem pó seco -, são os vizinhos. Quando dá um xabu federal, por exemplo, é importante a gente saber quem mora ao lado. Por exemplo: há um ano aquele rapaz que está com prisão decretada por ser suspeito principal de mandar matar a ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, está foragido. Foragido onde, eu me pergunto. Em Atlântida?

Onde quer que esse sujeito esteja, ele tem vizinhos. Ele precisa receber comida, roupas, ajuda. Alguém poderia olhar pra casa ao lado e notar o homem, por favor?

Meninos e meninas são sequestrados e passam ANOS na casa ao lado - e quando a polícia finalmente se toca, os vizinhos vêm com aquele "nossa, eu nunca reparei". Não se trata, de novo, de bisbilhotice. Se trata de interesse pelo outro e por nós mesmos.

Custa nada, quando chega um vizinho novo, ir lá levar um bolinho, uma violeta. É o convite pra uma relação ótima, seja o vizinho aqueles que flutuam pela casa quietos como a brisa, seja o vizinho baterista do Korn. Formar uma boa relação, próxima e sadia, é bom até pra isso: pra ter a liberdade de ligar lá em cima um dia e dizer "Temístocles, abaixa essa merda de rádio que eu não aguento mais a Ivete Sangalo cantando dentro em minha mente? Brigada, lindo, te adoro!".

A palavra vizinho vem do latim vicinus e quer dizer "que vive perto" ou "próximo". Eu sou a favor de sempre conhecer o próximo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Doida ou Santa

“Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa”.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa.. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso,temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada,dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.'
Martha Medeiros

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A música de hoje

 
Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol!
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu, buscando a sua casa no amanhecer!!
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada, eu vou fazer misérias no seu coração!!
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce e que triunfe a força da imaginação!!!
 
Oswaldo Montenegro

domingo, 15 de janeiro de 2012

Domingo de chuva: 10 dicas pra quem vai ficar em casa

Sou uma fã incondicional do Sol.
Este sumido deixa o meu dia mais alegre, me enche de energia e me dá um ânimo extra para toda e qualquer atividade.
Contudo, com essa chuva que não dá folga, há que se aproveitar o dia de alguma forma.
Eis então, algumas dicas pra quem prefere não sair de casa, como eu:

1) Navegar na Net
2) Ler um bom livro
3) Ouvir música
4) Fazer uma boa faxina nas gavetas
5) Comer muita porcaria
6) Assistir a uma bom filme

7) Namorar embaixo do edredon

8) Tomar um banho bem demorado, com sais, oléos e essências 

9) Fazer uma comidinha bem gostosa para a família e/ou amigos
 10) Dormir até não querer mais

Ficam as dicas! Ótimo domingo de chuva!!!!!!!!!!!





sábado, 14 de janeiro de 2012

A viagem


Não adianta querer fugir da realidade, do eu e das emoções vividas e experiencias cravadas na alma.
Onde quer que eu esteja, estarão comigo todas as minhas circunstâncias, contingências e
lembranças.
O que eu sou não tira férias, nem deixar de existir quando viajo....por mais longínquo o lugar,
não obstante o tempo do retorno.
O que eu sou me acompanha sempre, levo para todo e qualquer lugar tudo aquilo que eu sou de fato, meus sonhos, meus desejos, meu modo particular de ver o mundo.
A verdadeira viagem, que urge ser feita, é aquela que independe das paisagens e do clima para gerar mudanças significativas: a viagem para dentro de si, a eterna peregrinação em busca do "eu" do viajante e a sua razão de ser no mundo.
 
 
“Antigamente, os médicos prescreviam viagens como remédio para depressão. Imaginavam que, viajando para outros lugares, a depressão ficaria para trás. Mas a tristeza não desembarca. Viaja junto. Somos um baú cheio. Quando viajamos, o baú, com tudo o que está dentro, vai junto. Chegamos lá, abrimos o baú e nos pomos a representar a mesma comédia que representamos sempre”
Rubem Alves

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Entendeu ou vou ter que desenhar????

Palavra:
Eu queria dizer uma coisa
que eu não posso sair dizendo por aí.
É um segredo que eu guardo é uma revelação.
Que eu não posso sair dizendo por aí.
É que eu tenho medo que as pessoas se desequilibrem de si.
Tenho medo que elas caiam quando eu disser:
Eu descobri que a palavra não sabe o que diz :
A palavra delira. A palavra diz qualquer coisa.
A verdade é que a palavra nela mesma não diz nada.
O que diz é um acordo estabelecido
entre quem fala e quem ouve.
Quando existe acordo, existe comunicação.
Quando esse acordo se quebra ninguém diz mais nada.
Mesmo usando as mesmas palavras.

( Viviane Mosé )