domingo, 18 de dezembro de 2011

Soneto para W. Blake


A explosão e a síntese de um amor impossível foram descritas
por mim no "Soneto para W. Blake", o qual nasceu num "jacto", como diria
Florbela Espanca, numa tarde de1989.
Um tipo de psicografia, sei lá, mas parceia que alguém, lá no fundo
da minha alma, ditava-me as estrofes.
Neste dia, parte do que eu sentia transformou-se em palavras,
numa confissão, além da inevitável constatação de que o meu primeiro-
grande-amor, já nascera morto.
Passados 22 anos, resgatei o poema de um livreto da Universidade de
Guarulhos, de um concurso de poesia "Livre para criar", em que participei à
época, sendo premiada com um honroso 4º lugar.
Eis aqui a minha relíquia:

Soneto para W. Blake

Tu, que me despertaste da inocência
Qual flor, que em botão se despe,
"deu-me" a mim a fina essência
e a minha'lma a doura veste...

Cresci para ti, devo-te obediência
Assim como um deus a entrar em mim,
tecendo a cada prece a demência
de ter nos lábios o início do fim....

Criei-me assim, toda carinho
De teu jardim, mais bela flor...
Na tua estrada, novo caminho...

Trago em mim teu destino atrasado
Canções de experiência e louco amor,
sonhos de Céu com o Inferno casado...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Acima do peso sim, porém sexy e muito amada!

Hilda, a Pin Up de Duane Bryers


Duane Bryers, artista americano nascido em 1911, no Michigan, se especializou em pinturas onde o velho oeste americano é o tema principal. Ganhava a vida como ilustrador comercial até que, em 1958, criou a personagem Hilda, uma pin up acima do peso - e teve com isso seu nome e trabalho divulgados mundialmente até os dias atuais.

Duane, por meio de Hilda, só reforça o que já sabemos: que uma mulher gordinha pode ser, sim, sedutora e cativante. Além do mais, Hilda representa a mulher comum, a dona de casa que cuida de seus afazeres domésticos, às vezes até um tanto quanto desajeitada, mas sem perder a pose e o charme. Ela reforça também que uma mulher pode ser sexy naturalmente, sem apelos, artifícios e muito menos, vulgaridade.
Vejam Hilda em várias situações... Linda, simples e charmosa em todas:











quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A história se repete....


Depois de muito relutar, acabei admitindo que eu e muitos dos meus colegas nos transformamos em
Feitores da pós-modernidade.....dentro de um sistema de justiça criminal que só funciona para os desvalidos, nada mais óbvia esta minha dura conclusão.
Não há como fugir desta triste constatação.......aliás, pensando bem, há muito em comum entre os escravos de outrora e os seres marginalizados de hoje (invisibilidade social, coisificação do ser, ausência de dignidade, etc), assim como, entre alguns operadores do direito (delegados, promotores, juízes) e os temidos capatazes da escravaria (o agir em nome do Rei e da Lei, respectivamente).
A época é outra, mas a essência do problema é a mesma: a lei não é igual para todos, principalmente na seara criminal, onde a mão forte do Estado só alcança aquele acusado que não dispõe
de recursos para contratar um advogado hábil, que transite bem nos Tribunais Superiores e seja conhecedor dos meandros do poder (nas três esferas).
Sempre haverá uma interpretação inovadora da lei em benefício de réus ilustres, uma brecha qualquer na legislação por onde os criminosos escapam, sorridentes e altivos, da condenação merecida.
O mais estarrecedor é ver o quanto isso tornou-se comum no Brasil, com direito a loas e elogios públicos aos "experts" que atuam (a preço de ouro) para livrar seus "inocentes-clientes-ricos" da justiça, mesmo sabendo-os culpados.
Interessante notar que tais "profissionais" não se sentem atingidos pela ação criminosa de seus clientes, é como se não fizessem parte da sociedade que foi roubada, enganada, lesada pela corrupção em larga escala, ou que vê seus filhos transformarem-se em zumbis do crack, quando não os perdem para sempre, vítimas de latrocinio, homicidio, etc......se acham inatingíveis, os pobres doutores mortais, cujas consciência há muito foram ceifadas pela ganância e pela cobiça.
O pior é que assim foi, é, e sempre será, pois tais distorções são culturais e estão enraizadas na sociedade e no ser, como estruturas fundantes da ideologia dominante, qualquer que seja ela.
A norma, o ser e o tempo.....aporias da história.


          

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Falta inspiração.....


Encontro-me tão emocionalmente esgotada que não tenho mais inspiração pra nada, até meus desabafos tornam-se mudos, silenciosos.....gritos calados, ais contidos, faltam-me a expressão, a voz e as palavras.
Uma opressão da alma, uma incompreensão do mundo.
Esta sensação que assola-me veio de encontro ao que já escreveu Clarice Lispector:  


“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura."


No meu caso, as emoções contidas e as reações represadas, talvez salvem-me de mim mesma,
e funcionem com um mecanismo de filtragem daquilo que realmente vale à pena ser vivido, de forma que a outra, a essência,  a "não-eu", possa emergir e, da fusão das duas, eu possa tornar-me uma pessoa melhor. 
Tomara.
Fica ai mais um desafio para 2012.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Outras palavras

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...
São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?
"Que fizeste das palavras? Que contas darás tu dessas vogais de um azul tão apaziguado? E das consoantes, que lhes dirás, ardendo entre o fulgor das laranjas e o sol dos cavalos? Que lhes dirás, quando te perguntarem pelas minúsculas sementes que te confiaram?"
 
By Paula Argolio

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Problemas técnicos


 
 
Conhecemos uma pessoa pelos seus atos diários, pelas pequenas
coisas que faz em favor do outro, sem alarde ou propaganda, muito
menos, data certa.
Pequeninos passos, porém continuos, eis o desafio.
Estamos numa época do ano em que muitos procuram "fazer a sua parte" (uma
... forma de dormir com a consciência mais tranquila e resgatar sua paz de espírito por tudo que não fez durante o ano), doando coisas materiais para os mais necessitados.....pura hipocrisia.
Não se reconhece no outro e ainda vangloria-se pelas migalhas dadas.
Os grandes avanços são forjados no trabalho anônimo do dia-a-dia, aquele
labor que não tem publicidade e cujos resultados, embora tímidos, contribuem para a construção de uma realidade mais digna e menos desigual para todos.
Doe-se através do seu trabalho, qualquer que seja ele,
transformando os seus saberes em instrumentos de concretização do
bem estar do teu próximo.
Faça tudo com amor e fique tranquilo, pois com certeza vc terá o "céu" em terra,
todos os dias, sem precisar pagar por isso.

domingo, 27 de novembro de 2011

Uma canção para o dia de hoje....

Canteiros* - Fagner

Quando penso em você, fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos, em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento

Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Prá correr entre os canteiros e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.

* Canção inspirada em uma poesia de Cecília Meireles (Marcha) 

domingo, 6 de novembro de 2011

Renascimento...

Eterno renascer....movimentos diários de vida e morte.
Todos os dias, a cada amanhecer, um novo "eu" surge dos
muitos e muitos possíveis seres-em-si.
Ontem, hoje, amanhã....46 ao todo, anos de vida e de
transformação permanente.
Impossível "não-ser".
A essência que se mostra no desnudar das pétalas....
caídas, uma-a-uma, da flor da existência única e, ao mesmo templo, multiplicadora.
A cada aurora, completo mais um aniversário....
Parabéns pra mim, pra ti e pra todos que despertam, a cada dia, com um novo olhar sobre a vida, por mais automático e iigual que pareça ser o ato de levantar-se.....vestir-se.....ir para o trabalho, encontrar as mesmas pessoas.....depois voltar para casa, marido, filhos, amigos.....
É só olhar com atenção....com os olhos do coração, para sentir que nada permanece igual....a energia que envolve os seres está sempre em movimento, como o mundo....

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Palavras, imagens e sons da minha eterna primavera....


Hoje, mais um renascimento.....46 ao todo.
Feliz por estar viva e repleta de vida, de amor e de saúde.
Que seja minha vida um constante aprendizado, uma eterna busca do ser-em-si...da verdadeira essência.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tributo à Bela

Fernando Pessoa deixa datilografado, sem data, um poema, que fez parte de seu espólio.

À memória de Florbela Espanca

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as nuvens pairava
Por cima dos outros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.
Criatura estranha, espírito irrequieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo!

À Florbela
(em sua memória)


Sou eu, Florbela! Aquele que buscaste.
Falam de mim Teus versos de Menina.
Tua boca p’ra mim se abriu, divina,
mas foi só o Luar que Tu beijaste.


Hás-de voltar, Florbela!… Em débil haste,
por entre os trigos cresce, purpurina,
a mais fresca papoila da campina
que, só por me veres, não cortaste.


Eu tenho três mil anos: sou Poeta.
Surgi dos lábios secos dum asceta,
de uma oração que Deus deixou de parte.


Redimi tantos corpos, tantas vidas
neles vivi, que sinto já nascidas
asas com que subir para alcançar-Te
(…)

Sebastião da Gama
Arrábida, 6-11-1943

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E as máscaras continuam caindo......

Lembro bem do trecho da música de Gilberto Gil
que diz: ....Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei,

ensinai-me ó Pai o que eu ainda não sei.....

O bom da passagem do tempo é que os bons frutos amadurecem e, os maus, apodrecem e caem, sem que seja preciso qualquer esforço para derrubá-los ao solo.

Assim também é a vida.... as máscaras de "bom moço", "intelectual" e "dono da situação" sempre caem. Não há nada que dure para sempre, por pior ou melhor que seja.

Hoje o formigueiro vai dormir de alma lavada e passada e muito bem engomada, diga-se de passagem.

Demorou um pouco, mais a verdadeira face do "Cérbero do Cerrado" acabou aparecendo......essa coisa de estar em vários lugares ao mesmo tempo, impondo sua feroz vontade a tudo e a todos não rendeu os frutos pretendidos. Vigiando e punindo, acabou por perder-se em sua natureza híbrida (metade homem, metade cavalo) e hoje já não é mais nada, nem humano, nem animal. Não lhe socorrem mais as divindades do Olimpo, agora reduzido a verdadeira Babilônia em chamas.

O "dono da verdade" segue então, pobre e de alma desnuda, se é que tinha uma.

A mítica da farsa......o fim do que nunca existiu.



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pertença

Há um sentimento de pertencimento que envolve os seres, desde os primórdios.

O querer fazer parte de um grupo social, identificando-se com determinados contextos culturais, raciais, religiosos......nada disso é novo, posto que faz parte da essência do homem.

O que há de diferente é a necessidade de alguns indivíduos de pertencerem, a qualquer custo, a certas "castas", das quais se infere o ser não pelo o que ele é, mas sim, pelo que ele aparenta ser, ou pelos atributos exteriores que ele ostenta.

Nestas hordas, todos são iguais, a começar pelas vestimentas que só podem ser de determinadas marcas, os carros, marcas de relógio, destinos turísticos.....tudo muito o mesmo, caso contrário não pode fazer parte do "clube", nem ter acesso ao "Olimpo".

Também as opiniões não diferem.....há uma verdadeira massificação dos "ideais" e das "idéias".

Identidade e pertecimento passam a ser categorias opostas e excludentes uma da outra.

É possível notar um vazio existencial ou, em outras palavras, um vácuo ético que preenche e circunscreve este desenho social. Um enquadramento de seres e de costumes, onde o diferente fica de fora.

Frente a tamanha solidão, sigo em direção oposta à da massa....vou em busca do elo perdido....o reencontro do ser com sua essência, com a natureza.....com o éthos original.