sábado, 16 de março de 2019
sábado, 23 de fevereiro de 2019
Ainda bem....
A música, a poesia, a fotografia e tudo mais que nos arrebate a alma e o coração, nos salvando da dor das nossas próprias imperfeições e dos ruídos internos, tantos ais e lamentações....
Acordes, rimas e paisagens que num passe de mágica nos sequestram das garras amarguradas do perverso cotidiano de nós mesmos, bálsamos a refrescar feridas permanentes e a nos transportar para outras dimensões, outras vidas e outras tantas possibilidades.
A Arte abre um canal de conexão entre nós, o Divino e o Sagrado.
Nem todos conseguem transpor esse portal, pois a travessia requer mentes e corações sintonizados com o numinoso, com tudo que transcenda nossa pobre condição humana, racional e materialista.
Aventurar-se pelo desconhecido, deixar-se conduzir pela intuição, abandonar o controle, libertar-se das amarras e das crenças paralisantes e limitadoras, desaprender e transbordar.
Há tantas surpresas nessa viagem e nem é preciso perder a lucidez ou usar de subterfúgios químicos para penetrar nesse território mágico, quiçá sair do lugar, do país, do próprio corpo.
Vamos lá, esse é um convite para apurar a escuta, desembaçar a visão, desentorpecer os sentidos e brincar de ver e sentir tudo como se fosse a primeira vez....saborear cada dia como se fosse o último das nossas vidas.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Dica de leitura: O jardineiro que tinha fé
Essa pequena obra prima de Clarissa Pinkola Estés contém diversos contos e pequenas fábulas em que o personagem central é seu querido Tio Zovár, um velho camponês sobrevivente dos campos de trabalhos forçados da Europa durante a 2a. Guerra Mundial, com quem a autora trava diálogos belíssimos, revivendo sua trajetória de persistência e fé, bem como testemunhando sua incrível força quando o ele decide replantar uma floresta inteira, devastada pela sanha civilizatória.
Segue um pequeno trecho desse tesouro:
"Enquanto caminhávamos, titio matutava: 'Já ouvi pessoas
perguntando onde fica o jardim do Éden. Ora! Qualquer lugar que se pise nesta
terra é o jardim do Éden. Toda esta terra, por baixo dos trilhos de trens e das
rodovias, da sua roupagem gasta, do seu entulho, de tudo isso, é o jardim de
Deus – ainda com o frescor do dia em que foi criado.
É verdade que em muitos lugares o Éden está enterrado
e esquecido, mas o jardim pode ser restaurado. Onde quer que haja
terra sem uso, mal utilizada ou exausta, o Éden ainda está bem ali embaixo.'
Foi assim que aprendi que esta terra, da qual
dependíamos para nossa alimentação, nosso ganha-pão, nosso descanso, para a
oportunidade de ver a beleza, deveria ser tratada da mesma maneira que
esperaríamos tratar os outros e a nós mesmos. O que quer que seja que aconteça
a este campo, de algum modo, também acontece a nós."
Recomendo muitíssimo a leitura desse pequeno grande livro que numa narrativa singela e ao mesmo tempo profunda, nos ensina que a semente nova enraíza com mais profundidade e força em espaços vazios, revirados e destruídos, trazendo em si a renovação, a crença e a fé no movimento sagrado da vida.
Boa leitura!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Ouvir é uma forma de amar - à Mirna e ao Luiz
Para a primeira postagem de 2019, cujo mês inaugural passou como um bólido sem que eu pudesse sequer piscar, vou replicar uma pequena crônica de Luiz Carlos Lisboa, a quem tive o prazer de conhecer quando do lançamento do livro "Nova Era", que contém uma coletânea de textos que eram lidos durante o programa "Música da Nova Era", que foi transmitido pela rádio Eldorado FM, de São Paulo, entre os idos de 1987/1995 e que era apresentado pela querida Mirna Grzich, jornalista, escritora, terapeuta, radialista e principal divulgadora da música "New Age" à época, dona de uma voz celestial e que em 10 março de 2018 partiu para encantar outros planos astrais. Também conheci a Mirna quando do lançamento da obra do Luiz e guardo como relíquia um exemplar da 1a. edição, de 1988, autografado por ambos. Foi um dia duplamente mágico, pois WB estava comigo.
Até hoje lembro que eu ficava ansiosa esperando o domingo chegar para, das 22 às 23h, me deixar transportar pela sonoridade de uma discografia transcendental que incluía, entre outros, Mike Oldfield, Kitaro, Carlos Nakai, Paul Horn, Vangelis, Jean-Michel Jarre, Osamu Kitajima....era uma viagem através do som e, entre uma música e outra, havia a leitura de textos e um convite à meditação e à conexão com o Sagrado.
Sinto-me orfã dessa frequência astral, da sintonia criada pela combinação de sons, palavras, preces e meditações.
Deixando a saudade de lado, vamos ao texto e boa viagem, como diria a saudosa Mirna:
"John Cage, artista e criador, fala do que sabe: "Onde quer que estejamos, o que ouvimos é ruído. Quando o ignoramos, ele nos incomoda. Quando o escutamos, descobrimos que é fascinante". Cage está nos lembrando que a resistência aos fatos é um tipo de surdez, de cegueira, de recusa. Em estado de amor - no domínio da luz, do som, do tato - somos tudo aquilo de que nos aproximamos. Por isso, ouvir é uma forma de amar".
LISBOA, Luiz Carlos. Nova Era - Seleta de textos do Programa "Música da Nova Era". Apresentação e discografia essencial de Mirna A. Grzich, Livraria Cultura Editora. 1a. ed: SP, 1988, p.69.
Há vários cd's (tenho quase todos) que vinham como brinde na Revista Meditação e onde se pode ouvir a maravilhosa voz da Mirna Grzich.
Segue o link do primeiro deles:
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Dilema: + 1 ou - 1?
Dilema, palavra de origem grega dillemma.atos, tem como elementos fundantes do seu conceito (dupla proposição, di- "dois" e lemma- "premissa, algo aceito como verdade") a contradição e a escolha. Ou seja, filosoficamente falando, estou diante de um dilema quando o meu raciocínio parte de duas premissas contraditórias e mutuamente excludentes, mas que paradoxalmente terminam por legitimar uma mesma conclusão.
No caso, estou diante de um dilema: 2019, mais um ano de vida ou menos um ano de vida??? em pleno dia 31 de dezembro, época de celebrações, comemorações e muitos planos para o ano vindouro. O mundo em festa e eu em profusão de questionamentos, explodindo tal qual fogos de artifício dentro da minha cabeça de menina maluquinha, apesar dos 53 anos de estrada....
O fato do "ninho estar vazio" colabora para este estado meditabundo e meio outsider....deveras complicado, como diria Hélio Pellegrino em carta a Fernando Sabino, no prefácio de "O Encontro Marcado", sinto a solidão atravessando-me como um dardo e em plena treva (La noche escura del alma, poema lindo do século XVI, escrito por São João da Cruz, poeta espanhol e místico cristão).
Na carta, Pellegrino joga luzes sobre outro grande dilema: "O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome".
No último dia do ano de 2018 ser tragada por esse turbilhão de pensamentos, sentimentos contraditórios, planos para o futuro e ter ainda que preparar guloseimas para o jantar é de lascar, e no meio disso tudo, arrumar tempo para escrever besteiras e esvaziar o "peso" no meu divã virtual.
O dilema está posto e, apesar da cumulonimbus que estacionou irregularmente sobre a minha cachola (vai levar multa!), eu escolho acreditar que terei mais 365 dias gloriosos, com todas as possibilidades de inovar, reinventar, errar e tentar de novo, fazendo o que entendo o mais apropriado. Pode parecer lugar comum dizer que a vida é tão rara, mas não é! Cada existência é uma dádiva sagrada que merece ser celebrada e bem aproveitada, para que ao final, no momento da partida, o último e libertador sopro seja de agradecimento e de alegria por ter conseguido cumprir a missão (dharma).
Vamos lá para 2019 e fazer valer a pena a estadia terrestre, uma importante e prazerosa etapa da nossa jornada rumo à eternidade!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Novo tempo
Soprando pra longe os restos de um ano um tanto tormentoso, marcado por um carrossel de emoções ambíguas, lágrimas, despedidas e muitas mudanças.
Nem tudo foram espinhos nesse mar de flores. Há muito pra comemorar, por exemplo, o enfrentamento de tantas adversidades sem necessidade de "muletas" e coadjuvantes. Sempre fui eu, de cara limpa e coração aberto.
Período de aumento da capacidade de perceber as coisas como realmente são, sem a lente embaçada pelo Véu de Maya. A realidade da forma mais crua, sem distorções românticas e sem as lentes limitadoras dos meus pré-condicionamentos e pré-conceitos. Tudo é e sempre será, independente da minha compreensão sobre isso.
Um novo tempo se aproxima e eu sigo soprando ao vento da vida as sementes dos meus de desejos, dos meus anseios e das minhas esperanças. A eterna magia do recomeço, a ideia sempre presente de que "cada respiro é uma segunda chance", uma aventura e um caminho desconhecido a se trilhar, com a força e a leveza de quem sabe, no íntimo, que pra voar e aproveitar todas as oportunidades é preciso desnudar-se da própria e frágil origem.
Num sopro vigoroso, corajoso e libertador espalho versos, bendições e alguns lamentos de saudade...pronta para o que vier, para um novo ano, um novo tempo e novos "eus" que ainda brotarão de mim.
domingo, 21 de outubro de 2018
Filha do Tempo Presente
O poeta místico persa Udin Rumi, fundador da ordem dos dervixes, costumava dizer que o homem de bem "é filho de tempo presente e da tarefa perfeita". As lembranças do que já aconteceu pouco interessam àquele que vive integralmente sua vida: seus planos para o futuro têm o seu lugar, mas são apenas projetos. "Filho do tempo presente", o homem de bem a que se refere Udin Rumi está todo tempo aqui, e vive eternamente o agora. Porque está vivo e põe a alma em cada coisa que faz, realiza suas tarefas do modo mais próximo possível da perfeição.
Luiz Carlos Lisboa
Nova Era
Esse texto reflete bem o sentimento que me invade nesse momento e através dele expresso minha gratidão a todos que, de alguma forma, estiveram e ainda permanecem ao meu lado nesse período tão significativo da minha vida profissional e pessoal.
Tempo valioso, de escuta, aprendizado e necessário realinhamento.
Na trilha do meu darma, sigo trabalhando com amor e afinco, como sempre fiz, certa de estar cumprindo, da melhor forma possível, a missão que me foi destinada.
Sou filha do tempo presente.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
Nigredo
Nigredo é uma palavra oriunda do Latim e pode ser traduzida como escuro. Na Mística é utilizada para descrever o primeiro passo do processo alquímico, qual seja: a morte espiritual, estágio de decomposição ou putrefação. Ato contínuo, tem-se os ciclos da purificação (albedo), do despertar (citrinitas) e o da iluminação (rubedo).
Para Jung esta primeira etapa está relacionada à aceitação e integração da sombra, ou seja, das emoções, intuições, percepções e desejos que escondemos nos porões da psique, em razão da inadequação com os ditos padrões morais e éticos de uma determinada época e grupo social ou por revelarem defeitos e imperfeições que temos e não aceitamos.
Acessar essas áreas obscuras e encarar esse lado sombrio não é uma tarefa das mais fáceis e exige a coragem que tiveram Hércules, Orfeu, Enéias e, tempos depois, Dante e Virgílio, ao se aventurarem no Barco de Caronte, pelo rio do infortúnio.
A travessia desse deserto ou a passagem pela noite escura da alma, como bem definiu São João da Cruz, precisa ser feita a fim de que a nossa essência seja acessada, uma verdadeira itinerância em busca de discernimento, crescimento e aprimoramento espiritual.
Bem sei que desse ponto em diante não existe recuo. É um caminho sem volta. Sempre em frente e enfrente! Essa noite sombria é um divisor de águas, o prenúncio da transmutação, ressignificação e libertação de tudo que impede o fluir natural do eu e da vida
Há um oásis a espera daqueles que enfrentam as águas pantanosas do Estige e delas saem renovados e fortalecidos. E é esse sopro benfazejo que tem guiado a minha jornada, insuflando coragem em minhas entranhas e mantendo acesas as chamas dos meus ideais. É também ele que sussurra em meus ouvidos: - Não há o que temer, você está no caminho certo e fazendo o melhor possível. Siga em frente e mantenha-se em sintonia com os seus princípios e valores.
E assim, prossigo e confio.
Sob a capa de carvão já vislumbro o fulgor do diamante.
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Mudanças exigem sacrifícios
Grandes transformações exigem esforço concentrado para com o objeto ou a situação que se quer mudar. Em outras palavras, não há mudança sem sacrifícios, renúncias e trabalho duro.
O paraíso que se busca não cairá do céu e nem tampouco será o resultado de um amontoado de reclamações desacompanhadas de ações concretas no sentido de modificar o que não está bom.
Na atual quadra as redes sociais fez surgir um ativismo preguiçoso e superficial, onde muitos reclamam de tudo e poucos se dispõem a fazer algo de consistente para mudar a realidade que reputam ruim.
Há que se reconhecer a dificuldade que algumas pessoas tem de abandonar suas zonas de conforto, arregaçar as mangas, colocar as mãos na massa e fazer algo acontecer. É mais cômodo manter-se fora da arena e, como mero espectador, aceitar o que vem pronto, vociferando quando o espetáculo não lhe agrada, esquecendo-se de que quando foi chamado a escrever o roteiro, omitiu-se.
Aprecio aqueles que demonstram disponibilidade para o trabalho duro, que estão sempre prontos para ajudar numa tarefa complexa, almas corajosas que tomam para si a responsabilidade pelas mudanças que querem ao redor, sabendo que o ponto de partida é mudar a própria perspectiva que tem de si, do outro e do mundo.
Aves raras.
Céu vazio.
terça-feira, 19 de junho de 2018
O Canto das Sereias
"Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma"
Esse verso traduz não só a trajetória da doceira e poetisa goiana, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou simplesmente Cora Coralina, como também a de muitas outras pessoas, inclusive eu, que apesar do couro endurecido pelas pancadas da vida, não dispensam o lenitivo da música, da fotografia e da poesia para amenizar o ardor perene das cicatrizes.
Há que se fortalecer o espírito e petrificar a carcaça quando se é ousado o bastante para lançar-se ao mar revolto das vaidades humanas, sonhando os próprios sonhos e defendo posições e ideais num Olimpo de deuses autofágicos e sabotadores.
Rejeições implícitas e explícitas, pequenas tramas e traições, armadilhas diárias sorrateiramente plantadas no caminho e todo o tipo de ardil típico desse jogo de poder, com o claro escopo de pulverizar o opositor, olvidando-se que somos TODOS UM, ao fim e ao cabo.
Planos de poder pessoal prevalecendo sobre os interesses de todos.
E nessa batalha sangrenta e silenciosa em terra de egos gigantes, perdem todos....uns perdem a máscara e as verdadeiras faces e motivações se revelam; pessoas são desnudas frente a um olhar mais atento.... a inescapável essência emerge: pequenina e assaz virulenta, em muitos casos, mas nem tudo está perdido, há quem cultive, a duras penas, sua natureza lírica e íntegra em meio a esse pântano e em absoluto anonimato, mantém viva a esperança e continuam a semear um porvir mais promissor.
Estejamos atentos e fortes, tal qual Ulisses, ao enganoso Canto das Sereias.
Que os nossos valores, princípios e ideais continuem a ser as sólidas amarras que nos atam ao mastro da Nau e não nos permitam sucumbir ao desejo ilusório de gozo fácil, individual e imediato.
A sedução que as cigarras e as sereias exercem é uma arma letal para os incautos que se de deixam levar pela beleza de suas oratórias, digo, cantos.
Para sobreviver precisamos mais que isso.
O desafio posto é ouvir esse canto, refletir sobre seu alcance, sua real concretude e sobreviver/resistir a ele, refutando-o com racionalidade.
É preciso abdicar de uma vantagem pessoal que lhe será ofertada (prazer momentâneo e individual), em prol de conquistas perenes e tempos melhores para todos.
Vamos ver quantos conseguem.
Já não somos mais marinheiros de primeira viagem.
Estou a contar os corajosos.
1 (um).
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
μακάριος/Makários
Bem-aventurados os puros de coração, os que se doam de corpo e alma ao outro e, num abraço forte de proteção e cuidado, curam nossas dores e nos devolvem a nós mesmos.
Bem-aventurados os que passam pela vida trazendo amor e esperança para a vida dos outros.
Bem-aventurados os que amam em silêncio, através de simples ações e sem alarde.
Bem-aventurados os que enxergam o outro através da lente da compaixão e do perdão.
Bem-aventurados os que trazem no olhar todos os sonhos do mundo e colorem de pôr-de-sol o cinza dos dias tristes.
Bem-aventurados os que despertaram para a vida nas asas de um Colibri, ouvindo o canto do Uirapuru.
Afortunada sou eu por ter você como companheiro de jornada.
Abençoada sou eu por ter te encontrado em e meio a tantos desencontros.
Gloriosa e agraciada, sou só gratidão.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Sobre estradas e escolhas
Robert Frost* escreveu de forma tão expressiva: "duas estradas separavam-se num bosque e eu, eu segui pela menos viajada e isso fez toda a diferença”.
Encontro-me exatamente nesse ponto da jornada, em que preciso escolher, mais uma vez, uma das duas estradas....
Na primeira intersecção fiz a escolha correta e cá estou colhendo os bons frutos de um semear ininterrupto e vigoroso.
Agora a opção envolve outros aspectos, muitas necessidades básicas e urgentes de tempos atrás não sem fazem mais presentes. As prioridades mudam na maturidade, os desejos idem. Não há mais nada a se provar a quem quer que seja. Na plenitude da vida adulta o que se busca são outras sensações e realizações.
E bem quando eu já tinha uma ideia de qual caminho escolher, vem a vida e esfrega bem na minha cara o que realmente importa. Venho, solenemente, ignorando alguns sinais do meu corpo. Já não tenho 30 anos, mas continuo trabalhando e concretizando projetos com o mesmo afinco e determinação de quando tinha 21....vi que não é mais possível manter esse ritmo. Ou eu repenso meu modo de ser e de agir, ou a vida fará isso por mim da pior maneira.
A grande dificuldade é adequar a realidade do corpo, à da alma, mantendo o pensamento e os desejos alinhados nesse complexo sistema. Ouço uma voz dizendo: "Mais vc ainda tem tanto a fazer e a conquistar"..... então ouço uma outra que imediatamente retruca: "Vc já fez muito....agora é o momento de pensar em você e no seu bem estar".
Final de ano, exausta e com a saúde comprometida em razão de uma abrupta baixa da imunidade, causada por stress, sono irregular e jornadas de trabalho/viagens excessivas, talvez não seja o melhor momento de escolher qual rota seguir nessa encruzilhada, mas 2018 começará, forçosamente, diferente, com a necessária diminuição da carga, do peso e das cobranças, internas e externas.
Não há maior propósito de vida, do que viver bem, com saúde e ao lado das pessoas que realmente importam e que demonstram, diariamente, o quanto você é importante pra elas, independentemente da utilidade que você possa ter para essas pessoas, do cargo ou função que exerça e respectivos benefícios que isso traz pra elas.
Pouca coisa faz a nossa jornada terrestre valer a pena, uma delas é usufruir de sentimentos, sensações e emoções verdadeiras. O restante são só distrações, ilusões, o véu de Maya a nos obscurecer a visão, por deleite e armadilhas do Ego.
Nada tem consumindo tão rapidamente nossas energias do que essas disputas pelo ter, pelo poder e todos os esforços que envolvem a manutenção das vantagens e liderança nesse jogo de aparências, onde as máscaras valem mais do que a essência.
Posso afirmar, sem medo de errar que, apesar de tudo, estou terminando 2017 com um saldo extremamente positivo: praticando o desapego, compreendendo as revelações que tanto o amor, quanto a dor, me trouxeram, refinando os filtros em relação ao que realmente tem importância e, nessa linha, merece minha atenção e a minha energia, buscando a leveza e me afastando de tudo que é emocionalmente e fisicamente, pesado demais para eu carregar (culpas, medos, cargas alheias, etc).
A estrada menos visitada é aquela que eu irei percorrer sozinha, eu e os reflexos da minha escolha.
*Robert Frost (1874–1963). Mountain Interval, 1920. The Road Not Taken. No original: “Two roads diverged in a wood, and I — / I took the one less traveled by, /And that has made all the difference”.
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