domingo, 19 de junho de 2016

Haja coragem...


A coragem para aceitar-se imperfeita, vulnerável e frágil requer uma elevada dose de autocompaixão e compreensão de que falhar faz parte da condição humana, é algo natural de quem está vivo e no jogo. 
Esse desafio passa pelo abandono da busca incessante daquilo que eu penso ser, que envolve mais a ideia do que os outros desejam que eu seja em detrimento do que eu realmente sou, sem medo dos fracassos e erros que inevitavelmente envolvem minhas escolhas.
Posso não ser boa o bastante para inúmeras coisas, contudo como a perfeição nunca foi a minha meta de vida, vou fazendo o melhor que posso aqui e acolá, sem descuidar do principal: eu mesma, minha saúde física e mental, pois onde quer que eu vá estarei sempre comigo, já que não existe essa de "estou de férias de mim" ou curtindo um período sabático do meu "eu interior". 
Confesso que padeço de um mal seríssimo de querer controlar, prever e até prevenir alguns acontecimentos e isso tem me desgastado sobremaneira, me deixado angustiada e ansiosa. 
Na verdade, racionalmente eu sei que só posso controlar as minhas reações em relação aos fatos e não os fatos em si. As coisas do mundo não precisam de mim para acontecerem e nem respeitam o meu querer, a vida segue seu rumo inexorável, os fatos são implacáveis e inflexíveis às minhas súplicas e preces.  
Às vezes bate um cansaço, um sentimento de estranhamento e inadequação em relação ao mundo e, no meio dessa batalha hercúlea que travo dentro e fora de mim, tenho uns insights ou, em outras palavras, diálogos internos com a minha menina sábia, fada amorosa que pinta de sol as minhas manhãs nubladas, nos quais ela sempre me diz: "Você é suficiente e bastante em si, nem mais, nem menos. Confie e siga neste caminho possível sem gastar sua energia com o que poderia ser e não foi. Seja compreensiva e gentil consigo mesma. Perdoe-se".
E sintonizada nessa "estação" sigo minha jornada rumo ao despertar de algo que realmente faça sentido nessa altura do meu caminhar e que me renove o ânimo e as forças.     
           

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vale quanto pesa.


Quando eu era menina gostava de ficar cheirando os sabonetes dispostos nas gôndulas do supermercado, um mais cheiroso que o outro, principalmente os que eram embalados em caixas pomposas e que custavam bem mais caro que os outros, mais populares.
Cheirava todos, mais sabia que a realidade da minha família contemplava somente o tal do "vale quanto pesa", um sabonete cujo próprio nome já dizia tudo: era um tijolão, pesado e que não acabava nunca!! Tinha um cheiro forte e enjoativo e nem de longe lembrava os banhos de cachoeira que a propaganda alardeava, não no quesito prazer....deixa pra lá, era o possível para a época e o tal item de higiene pessoal até que cumpria a sua missão com galhardia e altivez, sem fazer feio aos Phebos e Almas de Flores da vida.
Essa lembrança da década de 80 tem a ver com essa sensação que sinto, em relação a algumas pessoas, de só valer pela minha utilidade (peso/posição/cargo) e não pelo que realmente eu trago em mim. Tudo bem, eu admito que a minha "flagrância" não é das mais doces e minha "embalagem", diga-se de passagem, é do tipo "econômica", sem os refinamentos e atrativos do gênero, mas mesmo assim, não é nada agradável essa percepção de ser "usada" quando convém e, logo a seguir, ser solenemente ignorada. 
É aquela velha história, há pessoas que te procuram e te tratam bem somente quando precisam de você e desaparecem quando os seus préstimos já não são mais necessários, ou seja, você só vale quando é útil, nem mais, nem menos. 
A conveniência e o interesse são as engrenagens que movem esse tipo de gente oportunista e de quem há que se manter distância razoável, em atenção ao mais primitivo instinto de autopreservação.
Seres desse tipo são descritos por José Ingenieros em seu livro, "O Homem Medíocre", da seguinte forma:"O medíocre limita seu horizonte afetivo a si mesmo, à sua família, aos seus camaradas, à sua facção; mas não sabe estendê-lo até a Verdade ou a Humanidade, que apenas pode apaixonar ao gênio".
Pois é, para enxergar e acolher a humanidade do outro é preciso ser "humano", na acepção mais completa da palavra,  para contemplar o ser na sua total inutilidade, desprovido de qualquer valia ou vantagem que ele possa lhe proporcionar......olhar o outro com o mesmo olhar que se olha o filho pequeno que dorme no berço, inocente e alheio a tudo o que move o mundo.
Valor sem peso, sem medida, sem dar nada em troca. Valer por si só, sem preço, nem contrapartida.
Quem sabe um dia....     
      
                   

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Na meia noite da alma




"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo em sua liberrérima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece seu nome."

Mensagem enviada por Hélio Pellegrino a Fernando Sabino.

Na minha adolescência tinha esse texto escrito na agenda, de forma que eu pudesse lê-lo a todo momento e extrair dele a força e o alento para prosseguir na minha jornada.
Hoje, revisitando esse conteúdo já tendo transposto o "meio dia da vida", sinto que a solitude do meu "entardecer" é mais que um isolamento voluntário, é uma viagem sem volta pra a essência, escavando e revirando as raízes do meu ser para assim manter viva a chama sagrada, a energia vital, o sopro da criação divina que transcenderá a tudo e a todos, luz perene na meia noite da alma.
E nesse eterno garimpar de emoções e sensações, vou me deixando escorrer por entre rios pungentes, dissolvendo enganos e costurando desilusões....há ouro sob a capa escura do carvão, diamantes submersos repousam no âmago das rochas petrificadas pela ação de vulcões. E já perto do anoitecer ainda sonho com a claridade das estrelas e com a paz da imensidão lunar, para assim saber me perder naquilo que nunca pude me encontrar.                       

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Come back, baby...



Depois de uma semana de repouso forçado, por conta de um amigdalite combinada com faringite, me deu um estalo: o que tenho feito de mim neste último ano, trabalhando em duas funções, sem tempo para nada que diga respeito à minha saúde física e mental??? Tem valido a pena tamanho esforço??? Estou realmente agindo pelo motivo certo?
Tantas perguntas e pouquíssimas respostas, porém, a principal meu corpo tem gritado nos últimos dias: - PARE JÁ COM ISSO! NÃO AGUENTO MAIS!!!
E nesse turbilhão de afazeres me sinto exaurida, com a energia escassa para o que o realmente importa e sem tempo para aqueles que efetivamente merecem o melhor de mim.
Essa escuta interna tem me revelado a necessidade de dar um basta neste estado de coisas que tem me consumido, nessa correria sem propósito e nessa sanha desenfreada de fazer tudo por todos e na hora "h" ninguém fazer o mínimo por mim. Acaba por aqui a "pau pra toda obra", aquela que basta um telefonema e já está engajada em novos projetos e disposta a ir até o inferno para ajudar quem quer que seja. Game over.
Compreendi que preciso cuidar melhor de mim se pretendo cuidar do outro e que, necessariamente, tenho minhas prioridades ante às demandas alheias.
Nada melhor do que se ver só, frágil e doente para se ter a real dimensão de seu próprio valor no mundo e o quanto é vital cuidar de si, antes de qualquer outra coisa.
Há tempos não mergulhava em tamanha espiral de pensamentos voltados pra dentro de mim, com olhos e ouvidos fixados nas minhas necessidades, medos e incertezas....protelando o inevitável encontro comigo mesma, face to face com um arquipélago de anseios, desejos e incompreensões.
Interessante notar como essa parada brusca e dolorosa trouxe reflexões tão valiosas e contundentes, o que prova que mesmo nas situações de desconforto pode-se retirar bons ensinamentos e novas alternativas, um rearranjo de vida, uma correção de rumo.
Entendi o aviso, o tempo urge e não há tempo a perder com lateralidades.
Come back, baby, come back....    


   

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Em busca de ânimo





Férias acabando e aquela sensação horrível de que os cansaços físico e mental continuam ali, firmes e fortes, tirando onda da minha cara, rindo do meu total desânimo em ter que voltar à arena de combate.
Perto de completar o tempo necessário para a aposentadoria fico a me perguntar se realmente poderei usufruir deste merecido período sabático, haja vista o caótico momento que o país atravessa, quer na esfera política, quer na econômica e que desaconselha a opção da aposentação, posto que os servidores inativos são sempre os primeiros a terem seus subsídios congelados, cortados e/ou diminuídos.
Escolha complicada, principalmente por eu estar num avançado estágio de ressignificação do meu papel no ambiente profissional, mormente no que se refere aos ideais de justiça e de defesa da sociedade, desconstruídos paulatinamente depois de mais de 30 anos de serviço público.
Não lamento, apenas constato que na teoria tudo é muito lindo quando de trata de Direito, mas na prática.....bem, melhor deixar pra lá. O cansaço nunca foi um bom mote narrativo.
Ainda está longe de terminar esta jornada e já me faltam asas para tornar mais leve o dia-a-dia, fôlego prender a respiração no fundo do mar de desassossego em que encontro-me mergulhada.
Como diz a letra de uma das minhas canções favoritas, "o mundo está ao contrário e ninguém reparou" e no meio de tantos avessos vou me rasgando toda, até o dia em que não haverá mais como remendar tantos pedaços de mim.           
       

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Detalhes




Depois de ler o belíssimo texto que segue abaixo, fiquei pensando o qão vazia e sem sentido seria a minha vida sem as pessoas maravilhosas que fazem parte da minha história. Tantos anjos bons que encontrei pelo caminho que escolhi trilhar. De uma forma que eu não sei explicar, trago dentro de mim um pouquinho de cada um desses seres que iluminam os meus dias. Não obstante os espectros de gente que já tentaram confundir os meus passos, por uma graça divina nenhuma dessas criaturas umbralinas comprometeram minha crença na humanidade. Dia após dia surgem pessoas de bem e integras que me cercam com boas energias e vibrações positivas. Muitos amigos no Plano Espiritual também estão a zelar por mim, almas irmãs da minha, que me protegem e me guiam nos momentos de tormenta. 
Sou extremamente grata aos amigos que tenho, são poucos porém muito valiosos, tesouro incomensurável que carregarei para a eternidade.
Em homenagem a vocês, segue essa pérola, colhida no mundo virtual.

"A grandeza de uma pessoa está nos pequenos detalhes que, a princípio, podem não parecer importantes. Pequenos detalhes moldam as pessoas em aço inesquecível, tornando-as pessoas únicas e excepcionais. Estas não são pessoas que não tem medo de nada ou que não cometem erros, mas são pessoas que sempre tem uma palavra amável, uma mão pronta para ajudar a construir um pensamento bom, prontas para fazer uma boa ação. Ou seja, são os pequenos detalhes que fazem a diferença nessas pessoas. Elas entendem o valor de viver e compartilhar e não se intimidam pelos absurdos da sociedade. Digamos que essas pessoas freiam na hora certa e percebe que vivemos muito rápido. Elas não destroem uma às outras com críticas ou expectativas, pois um dos “pequenos detalhes” que praticam é aceitar incondicionalmente o outro. Elas não apenas amam o mundo, mas o respeitam, pois são parte dele".

hhtp://amenteemaravilhosa.com.br/grandeza-pessoas-nos-detalhes/

http://amenteemaravilhosa.com.br/grandeza-pessoas-nos-detalhes/

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sentimentos contraditórios






A minha lua com certeza devia estar transitando em gêmeos quando de repente estacionou, empacou, encalhou ou quem sabe colidiu em rota frontal com o meu sol em escorpião.
Talvez isso explique tamanha instabilidade emocional, esse misto de alegria e tristeza, alívio e pesar que me atordoa.
Estou num turbilhão de sentimentos contraditórios....não sei se compro um sítio em Atibaia ou um triplex no Guarujá kkkkkkkkk
Ironias a parte, resta evidente que fui dragada por essa espiral de emoções tão paradoxais e não tenho como resistir a esse movimento que parece não ter fim e que me levará para lá de não sei aonde...
Só sei que sinto e por enquanto saber isso já basta, pois já não tenho disposição para me opor ao que surge, tamanha é a contração de forças que ora me comprimem, ora me expandem.
Há uma gestação em curso, pressinto que vou parir uma tempestade, um tufão ou coisa do gênero.
Tudo ao seu tempo, ao fim e ao cabo ainda restará uma semente de mim, a essência do que sempre existiu e resistiu a tudo e a todos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O novo que vem de dentro



E um novo ano começa e com ele novas possibilidades, experiências e expectativas.
Na realidade externa não há diferenças marcantes, apenas uma sucessão de dias, todos iguais, com inicio, meio e fim.
O que muda é a minha atitude perante as coisas da vida, a minha reação diante dos acontecimentos que se desencadeiam rotineiramente.
Não espero nada de fora e sim, tudo de mim.
Sou eu quem determino as cores do meu dia e a melodia que tocará junto ao meu silêncio.
Assim, que em 2016 eu possa ser melhor comigo mesma e com aqueles que me cercam.
Que eu saiba ouvir a voz da minha intuição e compreender as mensagens do meu corpo.
Que a minha alma sempre encontre refresco no amor e na arte.
Como aprendiz que sou, que a minha mente esteja disponível para o novo.
No encontro com o "eu", que a minha essência divina e eterna se faça cada vez mais presente.
Sem ilusões, só quero viver a plenitude da minha jornada.
Esse é o caminho, o milagre diário que tanto busco.


      
       

domingo, 15 de novembro de 2015

Lavando a alma....




Chuva boa caindo lá fora, prenúncio de festa neste meu cerrado....por vezes lágrimas que vertem de outros cantões do mundo, corações que choram ante ao ódio disseminado lá e cá, amiúde entre mensagens de hipocrisia e falsa cordialidade....
Quero banhar-me nessas águas sem desespero, estou tão cansada da secura que ando enfrentado no deserto de tantos desencontros, falta de amor e disposição para o outro, parece que envelheci mil anos nos últimos meses.
Cheguei há pouco aos 50, buscando forças para dar conta de todos os compromissos e tarefas que me propus realizar, e ao mesmo tempo com uma vontade louca de lagar tudo e viver de brisa, fotografando o céu de Brasília, escrevendo bobagens sem nexo, pintando e bordando, reorganizando os meus pedaços.
Parou a chuva, o cheiro de terra molhada e o canto alegre dos pássaros juntam-se aos sussurros de mais um fim de tarde, alguns trovões ainda remanescem do temporal passado, lembram um pouco a minha impaciência, o som feroz da minha consciência que já não mais aceita grilhões e amarras emocionais. Um grito de liberdade que ecoa pelo firmamento.
Esvaziando, pois a leveza é sempre boa companheira para quem já sente as dores da idade a refletir na coluna, síndrome de Atlas.
Mais um estrondo repercute na janela e estremece o domingo que se arrasta lentamente para o ocaso, rompendo o silêncio absurdo das palavras perdidas, mudas e inexpressivas, quem sabe adormecidas em castelos longínquos, a espera de um príncipe qualquer que as façam reverberar em múltiplos e infinitos significados...               

sábado, 5 de setembro de 2015

Às árvores ressequidas do cerrado


A extrema seca e aridez do cerrado traz a tona imagens de árvores esquálidas, ressequidas e de galhos solitários.
Há uma quentura no ar, misturada à poeira e à fumaça da vegetação em chamas....um calor que entorpece e parece não ter fim.
Gritos sufocados, sonhos adiados.....cansaço natural de uma natureza em transe.
Lá nas entranhas busca-se a força vital para o recomeço, pois continuar é preciso, ciclo após ciclo.
A energia das raízes, a essência da vida, o âmago do existir e tudo o mais que for fundamental para que a missão se cumpra, para que a razão de ser e de aqui estar seja plenamente atingida.
É chegado o momento do mergulho na grande floresta submersa, berçário de almas e potências, de onde se extrai um novo sopro, um alento e uma sobrevida.
Em busca de caminhos se abrem sempre novas rotas e possibilidades, um renascer-morrer constante e inexorável.
E ainda há o concurso da dor, que corta fundo com seu punhal afiado e dilacerante, escrevendo lições valiosas, purificando os sentidos e afastando ilusões.
Os galhos fininhos e ressequidos estão prenhes de exuberância, é só aguardar e ver o milagre que está por vir.
Eu acredito e esta crença tem embalado os meus dias, tal qual uma melodia que fala de quão necessário é sobreviver e, ao mesmo tempo, manter a sanidade.
- O vento da temperança logo chegará, sussurra a menina brisa.




         

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Vida que segue...



Porque mudar é preciso, mesmo que a essência e os ideais sejam mantidos.
Depois de muito tempo fazendo a mesma coisa, eis que um novo caminho abre-se para ser trilhado.
Como eu não acredito em acaso, sei que uma nova missão avizinha-se, tão bela e complexa quanto a anterior, já que envolve o mesmo material: o ser humano, suas imperfeições e incompletudes.
Lidar com o lado mais sombrio do ser não é uma tarefa das mais fáceis e nem de longe pressuponho que a
domino, mas acredito que ainda tenho muito para contribuir e quem sabe humanizar uma das mais áridas áreas do direito penal: a execução da pena.
Há muito fala-se de punição, expiação e purgação de culpas, erros, pecados e crimes, sempre sob o olhar atento do julgador, do acusador e da vítima.....que sofram todos os revezes os réus, condenados que estão à danação eterna, como sustentava-se em tempos idos.
Entre tantas indas e vindas, em meio a um turbilhão de teorias jurídicas, sociológicas e criminológicas, ainda falta o básico: a eficácia de toda e qualquer reprimenda passa pela legitimidade do sistema, o qual, na atual configuração, encontra-se eivado de vícios e mergulhado numa anomia sem tamanho e nem precedentes.
Resta-me continuar a remar contra a maré, em dia de tormenta e tempestade sem fim, num barquinho feito de sonhos velhos, amarrotados e um tanto desbotados.

    



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vivendo e aprendendo a dançar



Há um ditado chinês que diz: "Em noites de tempestade, as árvores rígidas são as primeiras a quebrar. As flexíveis se curvam e deixam o vento passar…”.

Flexibilidade é a capacidade de adaptar-se positivamente à mudança, ajustando suas atitudes de acordo com as mais diferentes e conflitantes situações do cotidiano.

Gestores e pessoas que exercem cargos de chefia deveriam saber disso e mais, necessitariam praticar este exercício de adaptabilidade e diplomacia todos os dias, sob pena de transformarem o ambiente de trabalho em um local pouco produtivo e nada aprazível de se estar.

Seres intransigentes e demasiadamente rígidos não são fontes de inspiração e jamais serão bons líderes. Quase sempre são intolerantes e incapazes de se colocar no lugar do outro. Demonstram uma certa dificuldade de lidar com o novo e de aceitar quem enxerga o mundo por um prisma diferente do seu. Não raras vezes exigem dos outros a perfeição que não possuem.

Quem não tem "jogo de cintura" desconhece o grande prazer da dança cotidiana, do bailar da vida, dos incessantes movimentos do Universo. De tão estático chega a estar morto.  Uma morte em vida.