sábado, 5 de setembro de 2015

Às árvores ressequidas do cerrado


A extrema seca e aridez do cerrado traz a tona imagens de árvores esquálidas, ressequidas e de galhos solitários.
Há uma quentura no ar, misturada à poeira e à fumaça da vegetação em chamas....um calor que entorpece e parece não ter fim.
Gritos sufocados, sonhos adiados.....cansaço natural de uma natureza em transe.
Lá nas entranhas busca-se a força vital para o recomeço, pois continuar é preciso, ciclo após ciclo.
A energia das raízes, a essência da vida, o âmago do existir e tudo o mais que for fundamental para que a missão se cumpra, para que a razão de ser e de aqui estar seja plenamente atingida.
É chegado o momento do mergulho na grande floresta submersa, berçário de almas e potências, de onde se extrai um novo sopro, um alento e uma sobrevida.
Em busca de caminhos se abrem sempre novas rotas e possibilidades, um renascer-morrer constante e inexorável.
E ainda há o concurso da dor, que corta fundo com seu punhal afiado e dilacerante, escrevendo lições valiosas, purificando os sentidos e afastando ilusões.
Os galhos fininhos e ressequidos estão prenhes de exuberância, é só aguardar e ver o milagre que está por vir.
Eu acredito e esta crença tem embalado os meus dias, tal qual uma melodia que fala de quão necessário é sobreviver e, ao mesmo tempo, manter a sanidade.
- O vento da temperança logo chegará, sussurra a menina brisa.




         

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Vida que segue...



Porque mudar é preciso, mesmo que a essência e os ideais sejam mantidos.
Depois de muito tempo fazendo a mesma coisa, eis que um novo caminho abre-se para ser trilhado.
Como eu não acredito em acaso, sei que uma nova missão avizinha-se, tão bela e complexa quanto a anterior, já que envolve o mesmo material: o ser humano, suas imperfeições e incompletudes.
Lidar com o lado mais sombrio do ser não é uma tarefa das mais fáceis e nem de longe pressuponho que a
domino, mas acredito que ainda tenho muito para contribuir e quem sabe humanizar uma das mais áridas áreas do direito penal: a execução da pena.
Há muito fala-se de punição, expiação e purgação de culpas, erros, pecados e crimes, sempre sob o olhar atento do julgador, do acusador e da vítima.....que sofram todos os revezes os réus, condenados que estão à danação eterna, como sustentava-se em tempos idos.
Entre tantas indas e vindas, em meio a um turbilhão de teorias jurídicas, sociológicas e criminológicas, ainda falta o básico: a eficácia de toda e qualquer reprimenda passa pela legitimidade do sistema, o qual, na atual configuração, encontra-se eivado de vícios e mergulhado numa anomia sem tamanho e nem precedentes.
Resta-me continuar a remar contra a maré, em dia de tormenta e tempestade sem fim, num barquinho feito de sonhos velhos, amarrotados e um tanto desbotados.

    



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vivendo e aprendendo a dançar



Há um ditado chinês que diz: "Em noites de tempestade, as árvores rígidas são as primeiras a quebrar. As flexíveis se curvam e deixam o vento passar…”.

Flexibilidade é a capacidade de adaptar-se positivamente à mudança, ajustando suas atitudes de acordo com as mais diferentes e conflitantes situações do cotidiano.

Gestores e pessoas que exercem cargos de chefia deveriam saber disso e mais, necessitariam praticar este exercício de adaptabilidade e diplomacia todos os dias, sob pena de transformarem o ambiente de trabalho em um local pouco produtivo e nada aprazível de se estar.

Seres intransigentes e demasiadamente rígidos não são fontes de inspiração e jamais serão bons líderes. Quase sempre são intolerantes e incapazes de se colocar no lugar do outro. Demonstram uma certa dificuldade de lidar com o novo e de aceitar quem enxerga o mundo por um prisma diferente do seu. Não raras vezes exigem dos outros a perfeição que não possuem.

Quem não tem "jogo de cintura" desconhece o grande prazer da dança cotidiana, do bailar da vida, dos incessantes movimentos do Universo. De tão estático chega a estar morto.  Uma morte em vida.

sábado, 28 de março de 2015

Fazendo arte para relaxar.

Um dos meus passatempos favoritos é o artesanato.
Brinco de fazer arte pra poder desatar meus nós, manter o foco no agora e dissolver a tensão do dia-a-dia.
Faço de quase tudo um pouco e devo a minha mãe querida, Yolanda Rippi Cyrillo, Arteira de mão cheia, as primeiras lições de crochê, tricô, bordados em geral, entre outras artes manuais. No meu tempo, toda menina-casadoira que se presava era inciada em prendas domésticas e sabia "diumtudo", senão ficava pra titia kkkkkkkk mas isso foi em outro século..... hoje tais dotes soam como coisa de velha, de titias solteironas e vovós aposentadas. Mesmo assim, os rótulos e estigmas não me preocupam, pois o que vale é a sensação prazerosa de estar trabalhando com as mãos, mente e coração.
Cada peça que confecciono diz muito de mim. As mandalas, os pingentes árvore da vida, os colares e pulseiras são minhas emoções e pensamentos materializados.
Não é nada muito sofisticado, nem segue padrões ou linhas profissionais.....adoto um estilo livre, simples e bem amador, já que o objetivo é só mero divertimento, sem grandes pretensões de reconhecimento pelo conjunto da obra.
Seguem algumas amostras das minhas brincadeiras, devaneios e criações:

  
  







domingo, 1 de março de 2015

O portal da purificação



Ouço vozes e não é de hoje.
Dentro de mim mora uma galera, múltiplas personalidades, diferentes "eus", e quando todos começam a falar ao mesmo tempo é o caos, fico doidinha.
Ai então respiro fundo e tento acalmar os ânimos para poder entender o turbilhão de sensações que me rodeiam....nessa espiral de níveis diferentes de consciência vou me deixando levar para onde meu coração me guia.
Vou intuindo o caminho,
Minha percepção se torna mais aguçada, meu desejo de contemplação do universo a minha volta se fortalece na mesma proporção em que passo a decifrar olhares, silêncios e contradições.
Cresce, na mesma intensidade, o vital desejo de encontro com a minha real essência, um mergulho sem volta nas profundezas do meu ser complexo, imperfeito, desconexo.
Estou sintonizada a um todo muito maior do que me é possível compreender e acessar neste momento. Falta-me refinamento e respectiva pureza para adentrar a esta esfera, dimensão de energias mais fluídicas e etéreas.
Sigo tendo presságios, intuições e visões, pequenos flashes do devir, a transformação em andamento.
No rastro dos bons sentimentos, vou me desfazendo dos pesados fardos, eliminando ilusões e concentrando minhas energias na expansão da minha consciência, no aprimoramento do meu ser.
Sinto que esta é a missão e este é o momento.
Há um portal aberto, um convite no ar.... purificar, transmutar e eternizar.
 
  

        
     
    

domingo, 21 de dezembro de 2014

Pé na estrada!

E lá se vai 2014....e que venha 2015 com muitas realizações, bênçãos e vitórias. Esse não foi um ano fácil, mas acredito que tudo nesta vida tem uma razão de ser e é este o mistério, o sagrado, o insondável que torna tudo conectado neste vasto Universo.

"E assim seguimos a nossa estrada: eu e minha esperança. Com a bagagem cheia de nada e o coração transbordante de um quase tudo. Mas andei dois passos e achei grande demais esse mundo para andarmos sós. Então chamei a menina (aquela que certo dia eu fui), daí nós três demos nossas mãos, e partimos por esse destino que queríamos ter traçado, mas que sei que já tem seus próprios caminhos". 

Rô.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A vida que pulsa.




Terra revirada, aberta e exposta, ávida pela semente que nela há de se deitar e acordar vida, broto, fruto e ser.
A primeira vista mais parece chão arrasado, solo seco, paisagem sem atrativos e completamente desnudada de vitalidade e beleza.....mas se você parar e olhar detidamente, há de enxergar um movimento de transformação em cada centímetro desta charneca e, se apurar ainda mais os sentidos, ouvirá ao longe os sons da seiva vital a percorrer o útero deste belíssimo campo santo, num espetáculo universal de renascimento sagrado.
O tempo de preparação não é nada comparado ao que virá depois. A demora será compensada pelo preenchimento de todos os espaços férteis e de duradoura colheita de âmbar e mel.
A obra de uma vida não acontece de repente, é mais uma construção diária de fé e coragem.
Resta-nos, então, cultivar a paciência na espera e a confiança de que tudo acontecerá no momento apropriado, pois cada pequeno passo, cada minuscula semeadura, nos conduzirá ao éden de nós mesmos, nosso reencontro com o numinoso, com a vida que transborda através de nós, para além de nós, apesar de nós.    

"Às vezes, o vazio não é um vácuo, mas sim uma longa gestação. A gestação pelos parâmetros do ego é sempre longa demais. Mas, pelos parâmetros da alma, a duração da espera e da criação interna, antes que o que está sendo criado se mostre externamente, é sempre a duração correta".  Clarissa Pinkola Estés - Libertem a mulher forte.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Atualizando o sistema


Estou longe de ser um MacBook de última geração, mas confesso que o meu hardware ainda funciona, embora com um sistema operacional meio carregado, talvez um pouco obsoleto para os padrões de hoje,
o que torna a velocidade de processamento das informações um pouco mais lenta, com a consequente falha de algumas conexões, mas nada que comprometa demais o desempenho da máquina. 
Tenho dado muitos comandos de control+alt+del na tentativa de liberar espaço na memória e fechar algumas telas inúteis, cancelado o excesso de tarefas, com o objetivo de impedir uma sobrecarga no sistema.
Quase sempre esqueço de atualizar o antivírus e ai começo a receber aquelas mensagens chatas, alertas do tipo: modificações prontas para serem instaladas, reinicialize o sistema. Uma luz fica piscando dentro de mim. Quando isto acontece, não tem como optar por "lembrar mais tarde" e continuar a navegar, pois o sinal é claro: algo não vai bem, melhor parar e recomeçar com mais segurança, sob pena do sistema travar.
Sigo assim, de tempos em tempos liberando a instalação de novos programas, esperando a reinicialização do sistema e dando quantos "enters" forem necessários para  que a conexão com o link vital seja completada com sucesso.  
Existe sempre uma atualização disponível para cada programa, cabe a nós a mudança.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A indiferença mata.







A indiferença vai matando aos poucos, o sentimento e a pessoa.
Relações protocolares e funcionais nada mais são do que um abandono velado, um falseamento da realidade, onde um faz de conta que se importa e o outro finge que acredita que está recebendo a atenção merecida, até como uma desculpa, um jeito de sofrer menos. Um jogo de encenação onde todos os atores, conscientemente,enganam-se.
Situações desse naipe só revelam a profundeza do abismo que separam pessoas ligadas por laços de consanguinidade, porém afetivamente distantes umas das outras, perdidas em seus infernos particulares.
Não há vitimas, nem algozes....quiçá vencidos ou vencedores.... e numa completa simbiose entre ambos sobressai apenas o desamor, a dor de uma existência solitária, vivida na mais completa ausência de bem-querer.
E a vida passa tão depressa e nem percebemos o quanto deixamos de prestar atenção e dar valor para o que realmente importa. Nos distraímos com futilidades, somos experts em arranjar desculpas para não fazer o que realmente tem que ser feito, inventamos milhares de compromissos só para ocupar a mente e tentar desviá-la dos pensamentos incômodos, das cobranças, do sentimento de culpa, em última instância, do remorso que fatalmente nos visita na calada da noite.
E, ao fim e ao cabo, a nossa indiferença em relação ao outro também nos mata um pouco a cada dia e da forma mais cruel possível, pois arranca o que há de melhor em nós: a possibilidade de amar e de ser amado.       
  

sábado, 9 de agosto de 2014

Em algum lugar do tempo.....


E a letra da música que toca no rádio diz que " ....em algum lugar do tempo nós ainda estamos juntos, pra sempre, pra sempre, estaremos juntos....".
Verdade Pai, hoje você não está aqui, partiu do nosso convívio há quase 7 anos, mas as lembranças de tudo que compartilhamos permanecem vivas na minha memória.
Lembro-me bem quando na quinta-feira que antecedeu o dia dos Pais de 2007, avisei Celso que eu tinha resolvido viajar para São Paulo no dia seguinte, pois sentia que seria o último dia dos Pais que estaríamos juntos, em carne e osso, eu e você. Dito e feito, um mês depois você nos deixou.
Sinto saudades, é óbvio, mas sei que você cumpriu sua missão por aqui e que merecia descanso de todos os tormentos advindos dos problemas de saúde que foram se acumulando e debilitando seu corpo físico nos últimos anos de sua existência.
Chorei muito e ainda choro de saudade, pois de seus filhos sinto que eu fui a que mais desfrutou do seu lado bom, pois quando me dei por gente, você já estava mais maduro, tinha deixado de lado algumas ilusões que te entorpeciam a mente, mudando hábitos e amansando seu gênio de cão, tipo italiano do Sul piorado.
Somado a isso tem o fato de que você morou comigo, em Formosa, por quase 4 anos, tempo em que meus filhotes puderam curtir o vovô Pio fazendo arte na oficina, pegando passarinhos para o Arthur soltar, consertando o carrinho do Lucas....bons tempos.
O que mais alivia a dor de não poder te abraçar hoje, amanhã, que é Dia dos Pais, e depois, e depois, etc, vem da certeza que fui a melhor filha que eu poderia ter sido pra você, pois não poupei carinho, abraços, palavras, afeto e acolhimento. Fiz o que eu pude para te ver bem e aliviar ao máximo a sua carga e tenha certeza que eu faria muito mais se me fosse possível intervir e mudar o destino.
Sei das tuas imperfeições, assim como, conheço bem as minhas, porém aprendi que nada disso importa quando amamos verdadeiramente uma pessoa. Pela lente do amor enxergamos apenas aquilo que é essencial.
Grata pela vida, querido Pai, até nos teus erros mais banais você me ensinou como não ser, fazendo de mim uma pessoa melhor.
Grata pelo carinho que você sempre teve por mim e pelas renúncias que sei que fez por minha causa. Lembro-me de cada uma delas, pode apostar.
Quero que saiba que mesmo com todos os problemas e conflitos, foi importante crescer e ter você por perto. Do seu jeito sei que você me apoiava e vibrava com as minhas vitórias.
Herdei de você a paixão pela música, o gosto pela dança, pescaria e futebol, além, é claro, o temperamento impulsivo e o prazer inenarrável de soltar um sonoro palavrão nos momentos de raiva, ou seja, quase sempre.
Sinta-se abraçado por mim, hoje e sempre.
Estou vibrando para que todos os seus dias sejam de luz, onde quer que você esteja.
Beijos no seu big coração!
Sua sempre "matusquela", a boneca ligada no 220 volts como você costumava dizer.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Fazendo o possível


Desde menina sempre tive vontade de aprender a costurar para poder fazer minhas próprias roupas, modelos exclusivos, saídos diretamente das ideias mirabolantes que sempre povoaram minha mente.
Não deu, na correria da vida, divida entre trabalho e estudos, o tempo foi passando e só fui costurando, distraidamente, meus sonhos, desejos e experiências.
Tecelã e usuária de uma grande colcha de retalhos, pedacinhos dos meus inúmeros eus.....a criança de saúde frágil, a adolescente de temperamento explosivo, a mulher empunhando a armadura pesada diante das batalhas da vida, a amante, a amada, a filha, a irmã, a esposa, a mãe.....todas eu em essência.   
Dias multicoloridos, linhas finas, às vezes grossa.....nem tudo foram sedas, há muito de aspereza também, mas nada que comprometa a integridade do trabalho que vem sendo executado ao longo destes quase 49 anos.
Até o presente momento o que foi produzido tem lá a sua qualidade, nada muito sofisticado, apenas o necessário para uma sobrevivência digna e que reverta em frutos e aprendizagem para os que, muito além de mim, tecerão outras padronagens, veludos e rendas de melhor qualidade.
Sigo fazendo o possível, a costurar palavras, pensamentos e sentimentos em meio às ações diárias de transformação e entrega.
Trago em mim fantasias tão próprias, trajes quiçá exóticos, que um dia ainda hei de costurá-los para além dessa existência.     

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Reduzindo o peso



Não, não estou fazendo regime, embora fosse necessária uma redução drástica da minha gordura corporal. Estou a falar do peso emocional, da carga de cobranças e culpas, bagagem que carrego há tempos, deixando-me cansada, a padecer ultimamente de obesidade mórbida da alma.
Com o tempo tenho aprendido a difícil tarefa de diminuir o tamanho da "mala", a fim de tornar a jornada mais leve e aprazível. Cada vez mais preciso de menos coisas, só o essencial para locomover-me pelo mundo. Estou descascando, trocando de pele, mudando o grosso revestimento por um véu, refinando as camadas e deixando de lado o fardo pesado de ilusões, preconceitos e modelos préconcebidos de "dever-ser".  O volume de memórias inúteis também está sendo decotado, ajustando-se ao exato tamanho do aprendizado deixado por uma gama de experiências vividas. Tenho urgência em encontrar minha verdadeira essência, não disponho de tempo e nem disposição para superficialidades, rasuras inúteis e distrações que me desviam do verdadeiro caminho, do necessário encontro comigo mesma. Quero a alegria pura e ingênua daqueles que nada sabem, que flutuam pela vida como borboletas, folhas ao vento que não se importam com o momento do pouso, deitando-se ao solo sagrado do simples existir com imensa gratidão, deleite único dos que não estão preocupados com os mistérios do Universo, nem com as convenções sociais hipócritas do ter.  A lépida e faceira menina dança ao som da brisa do mar, e assim vai desfazendo-se das mágoas, desfiando as dores, despindo-se dos dissabores e tornando mais leve a sua trajetória. E na medida que o tamanho da carga vai ficando menor, vai serenando o coração da outrora inquieta viajante, os ruídos internos vão se calando, num profundo silêncio que conforta e apazigua a alma. Sigo agora nessa suave toada até o dia que a leveza eterna e definitiva me envolva em seus braços e me faça flutuar consigo.