sexta-feira, 6 de junho de 2014

Por uma ética da alteridade


Na atual da quadra da humanidade onde as relações sociais são pautadas pela supremacia do modelo antropocêntrico sobre o biocêntrico, com a conseqüente hipertrofia do ego e fortalecimento do individualismo, soa como heresia a busca do reconhecimento e da convivência pacífica com o outro, verdadeira antítese ao discurso científico-racional da modernidade, que desconsidera a eticidade da existência do outro, em sua totalidade, não importando quem ele seja.
Reconhecer-se no outro, sem pré-juízos, pré-conceitos, rótulos, etiquetas ou estigmas, mesmo diante da diversidade cultural, étnica, religiosa latente entre os seres, procurando desconstruir modelos de exclusão existentes desde a antiguidade, onde, por exemplo, as categorias das crianças e dos deficientes não existiam no contexto social, os escravos eram considerados “coisas”, entre outras anomalias, é valorizar e construir com o diferente. Também em essência somos todos iguais: humanos, em demasia, como já disse Nietzsche, cidadãos do Universo, sem a exclusão do brilho e da sombra que cerca a natureza humana. Ao mesmo tempo somos todos distintos, sendo que qualquer tentativa de nivelamento, assemelhação, classificação ou manipulação que o valha, soa como dominação, opressão e imposição de “verdades absolutas”.
Quando não nos apartamos do outro, não só vivemos (ato solitário e egoístico), mas, principalmente, convivemos e nos relacionamos com toda a sua riqueza interior, apreendemos os seus valores, acolhemos suas particularidades e nessa aceitação do pluralismo, crescemos e nos fortalecemos. Nesta perspectiva, não há espaço para a intolerância, nem exclusão do diferente. Há uma complementariedade do agir que nos torna inter e intradenpendentes.
Neste tipo ideal de relação alteritária, tão bem detalhada nas obras de Lévinas e Dussel, a racionalização e as idéias pré-concebidas, categorias fundamentais das relações autoritárias, de poder e força, não encontram espaço para disseminar o ódio e o separatismo que alimentam a violência estrutural dos dias atuais. Não há sujeitos-padrão. Quando reconhecemos o outro em nós, descobrimos que somos responsáveis por ele, percebemos, perplexos, que ele tem os mesmos direitos e deveres que nós, não obstante os diferentes graus de compreensão que temos, nós e ele, diante de um mesmo fenômeno.
Instados a nos posicionar diante dessa nova forma de enxergar o outro e o mundo nos deparamos com a necessidade de promover e realizar uma determinada categoria de direitos fundamentais da pessoa humana: direitos de 5ª geração ou direitos de solidariedade/fraternidade, onde estão incluídos o direito à paz, à democracia sem exclusão e desigualdade, em outras palavras, direito a uma vida digna. Como exercício inicial poderíamos começar lançando um “olhar” mais completo à mulher, enquanto “outra”, ser diferente, ente feminino totalmente diverso do homem e, que por isso não pode ser transformada em objeto de opressão, agressão e outras indignidades. A preponderância da violência do masculino sobre o feminino é antiga, desde os sacrifícios das virgens aos deuses, passando por Platão, para quem a única utilidade da mulher era gerar o filho, com uma parada em Aristóteles, que deixou claro na Ética a Nicômaco que o homem livre é animal político e, a mulher, submissa a ele e sua serviçal.
Sob a ótica da alteridade, o ato de “olhar ao redor” nos oferece a oportunidade de ver a realidade do outro, através de seus “olhos”, de sua dor e das circunstâncias que o faz ser como ele é. Não é uma tarefa fácil trocar de lugar com o excluído, com o marginalizado, com o estigmatizado, com o encarcerado....contudo, através desta troca momentânea de identidade podemos compreender melhor todo um estado de coisas e, com isso, tornar legítima qualquer tipo de ação que envolva o outro, afetando-o em sua dignidade e multifacetária existência.
Precisamos aprender a ver o outro com os “olhos do coração”, assim como quem olha um filho dormindo, transmutar a sabedoria Crística de tratarmos o outro da forma como gostaríamos de ser tratado, do plano do “dever-ser”, para o plano do “ser”. Somos mais que as “coisas pensantes” de Descartes, muito mais que os entes heideggerianos abertos ao ser “objeto do mundo”; somos indivíduos libertos e, como tais, devemos cuidar para que nossas relações diárias com o colega de trabalho, com os filhos, marido, com o vizinho, com a natureza, etc, primem pela valorização do ser em si, sem interesses outros (utilitarismo e dominação), apenas respeito, compaixão e escuta ativa, desinteressada.

domingo, 30 de março de 2014

Recuperando a intimidade perdida.....



E a canção que toca no rádio me faz lembrar do quanto estamos sem tempo para nós....
"(....) perigo é ter você perto dos olhos, mas longe do coração ...."
São tantos os compromissos diários assumidos ao mesmo tempo por você e por mim que já não sobra espaço para o essencial de nós dois: cultivar o sentimento que um dia nos uniu.
Não há ausência de amor, apenas falta tempo para exercitá-lo, o que não deixa de ser um perigo, como alerta a música que agora não saí da minha cabeça.
Depois de quase duas décadas de vida em comum essa "intimidade" conta muito, é a liga do desejo, o alimento que mantém a disposição de se estar e permanecer com o outro, verdadeiramente, de corpo e alma.
Nada de aparências, pois o mundo lá fora está repleto dessas artificialidades e de outros estímulos e apelos, que insistentemente nos conclamam a aventuras amorosas, exibindo corpos joviais, tal qual os nossos outrora....mas nada faz sentido nessas esculturas vazias, não há nada aí que nos resgate ou lembre um pouco da emoção de amar e ser amado. Sexo é bom, mas não é tudo.
Então, que tal começarmos a desobstruir a nossa pauta????? rsrsrsrsr
Abrir um espaço na nossa agenda só pra nós dois, sem filhos, famílias, profissão, a nos rodear com suas infinitas demandas....
Falar bobagem, assistir a um filme agarradinhos e depois de um lanchinho rápido, o infinito dos meus braços em seus abraços, beijos quentes e urgentes.
Ainda dá tempo....
A música não acabou pra nós dois. 

domingo, 16 de março de 2014

Depende do olhar



Tudo depende do ponto de vista e das pré concepções de quem olha.
A ausência de perspectiva também é positiva, acredite.
Um certo vazio, estar-se suspenso no ar....o não esperar nada de ninguém ou de alguma situação.
Há um estado de leveza em tudo isso, um bálsamo para mentes e corações demasiadamente alvoroçados, desassossegados.
Num perfeito estado contemplativo, os pensamentos esvaziam-se de conceitos, definições, julgamentos....há só o olhar, a estética, o belo que faz tremer a essência, arrepiar a alma, independentemente da paisagem. Às vezes, só o vento traz essa paz, essa sensação de união com o todo.
Pode ser o não-ver, quiçá só o silêncio, a escuta da vida.
Deixo-me envolver por esta atmosfera de abandono, de comunhão com o Universo. 
Já não sou eu, somos Um com Ele.  

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Do direito ao esquecimento



Numa época em que as informações são eternizadas na esfera virtual, assombrando e reverberando os fantasmas do passado, há que se discutir, não só na seara jurídica-social, como também na psico-emocional, o sagrado direito ao esquecimento, à possibilidade de se reescrever a própria história, refazer rotas e não acessar infinitamente lembranças por demais dolorosas.
Como já disse Freud, a própria existência da pessoa é pautada por processo de remoção de fatos traumáticos que ficam retidos no inconsciente humano, de forma que a consciência da pessoa possa sobreviver sem a dor de eventos indesejados.
O direito ao esquecimento, ao perdão, à não culpa fazem parte de um processo de remodulação do nosso campo emocional, a partir da desconstrução de imagens, símbolos e sentimentos avidamente alimentados desde a mais tenra infância, para que seja possível a sobrevivência do próprio ser, para que se tenha um pouco de paz e o mínimo de qualidade de vida.
Ouso dizer que estamos todos doentes e muitas das nossas enfermidades se retroalimentam dos erros e decisões equivocadas do passado e, numa autofagia sem limites, tal qual Prometeu, vivemos acorrentados e aprisionados pelo pretérito imperfeito, num castigo imposto por nós mesmos, talvez no afã de domesticar nossos instintos mais maléficos.....o medo de enfrentar o ser das sombras que fazemos questão manter trancafiado nos porões do nosso inconsciente.
Vamos nos permitir um alento, deixemos que o bálsamo do tempo leve consigo aquilo que não nos faz bem, memórias negativas e intemperanças que não nos é mais possível modificar. Que permaneçam apenas o aprendizado e a experiência, ingredientes essenciais para a manutenção da esperança de ser, a cada dia, uma pessoa melhor.
Lembra-te de esquecer.

“Viver é um livro de esquecimento
Eu só quero lembrar de você até perder a memória”.
(Elevador, Ana Carolina)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Faltando um pedaço.


A morte de um amigo me diminui, leva um pouco de mim, dos momentos que não poderão mais ser compartilhados....o sorriso franco e aberto, o abraço sempre amoroso, acolhedor....a mão forte a nos amparar em todos os momentos.
Só ficam as lembranças, que a saudade encarrega-se de reavivar todos os dias.
Há que diga que com o tempo a dor de perder um ente querido vai diminuindo. Eu não acredito. Pelo contrário, quanto mais o tempo passa, mais a ausência cala fundo. O não ver, não poder tocar, não desfrutar da presença, não ouvir a voz, a risada.....é um vazio que o tempo só faz aumentar. A dor não passa, com o tempo só nos acostumamos com ela e vamos aprendendo a preencher a lacuna, o espaço em branco, o vácuo que a falta daquela pessoa acarretou.
Não sei como é a morte pra quem morre, pois estou viva, graças a Deus e não sei de ninguém que tenha morrido e voltado pra contar. Sei o que diz a doutrina espírita sobre isso, pois li muito sobre o assunto e até acho possível e viável a vida pós morte, mas  por enquanto não quero ver para crer.
 Só sei que a morte pra quem fica é dolorida demais, uma dor impossível de ser mensurada e não existe nada que faça cessar o padecimento, o pesar de saber-se apartado para sempre daquele que tanto se estima.
E vamos tratando de lidar com esse sofrimento, dia após dia, até que  a apertura do coração vai encontrando caminhos outros que possibilitam a sobrevivência. A fé, o credo religioso, a busca do sagrado, de algo mais que nos faça suportar a aflição de ser e estar despedaçado.
Pensando bem,  a morte não é um acontecimento único, imediato e repentino, pois tenho pra mim que morremos um pouco a cada dia.
Quando morre um ente querido, morre com ele um pouco de nós e da nossa história. Sepultamos com ele milhões de possibilidades de vida, emoções que não mais serão possíveis de serem vivenciadas.
Hoje mais um pedaço de vida nos foi tirado, uma peça do quebra-cabeça que se perdeu fora da caixa e deixou um vazio impossível de ser preenchido, tornando o jogo sem graça.
Partida interrompida cedo demais meu amigo...assim não dá, acabou a brincadeira!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Eu vim de longe....



É verdade, eu vim de longe, com a brisa das quimeras, em busca de concretizar sonhos de tantas vidas.
Parece que foi em outros tempos, em diferentes paragens, pessoa diversa da que sou hoje....que sensação estranha essa de ser tantas em uma só, trazendo comigo um pedaço de cada personalidade, embora sinta que seja a mesma alma, uma essência única.
Um pouco de mim morre a cada hora e, no mesmo instante renasce algo em meu ser que também não é novo, pois sinto que já era eu, tão meu.....eis o mistério do sagrado, o movimento incessante do Universo. Somos todos um com Ele.
E a cada recomeço de ano, de mês, de semana, de dia, sinto que há uma energia nova no ar, que nos convida para uma conexão com a vida que pulsa, vibra e nos conduz para o melhor de nós.
Sigo em frente, buscando manter uma sintonia com esta onda de luz que a tudo envolve e harmoniza, trazendo paz e revitalizando cada partícula da minha estrutura física e também da minha veste espiritual.
Estou na estrada, traçando o meu caminho, com rotas a seguir a perder de vista.
Eu vim de longe e pra muito longe eu vou, enquanto houver sol e vida.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A melodia que toca o meu coração.




E os acordes finais de 2013 já ressoam por todos os cantos.
A agitação dos festejos de final de ano, férias, descanso e comemorações sem fim.
Há muito para celebrar mesmo, hoje e sempre. Só pelo fato de se estar vivo
já é motivo de regozijo e agradecimento.
Vamos nos deixar levar por essa melodia que está no ar, a embalar
nossos corações e preenchendo de sentidos a nossa vida.
Que a magia do Natal e o prenúncio de um Novo Ano de bênçãos toque fundo
cada ser vivente, renovando as forças e triplicando a fé num porvir glorioso.
E nessa sintonia de paz, amor e prosperidade mais um ciclo vai encontrando seu final, para que outro, logo em seguida, possa iniciar-se.
E assim segue a vida, de forma natural, simples e inexoravelmente bela em seu envolvente bailar.
Sigamos esse novo caminho, sem pressa, em festa!
Viver é o que basta.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Paixão instantânea

 LAVISH NO BRASIL | A grife de acessórios Lavish by Tricia Milaneze, que já faz sucesso nos Estados Unidos, Japão, México, America Latina, além de vários países do Oriente Médio e toda a Europa chega ao Brasil. À frente da representação está a empresária Marilia Dario. 


Fundada em 2005 pela designer Tricia Milaneze, a Lavish é uma marca de acessórios artesanais que combina o estilo vintage com influências modernas. As peças são confeccionados com fios banhados em ouro, crochetando uma trama de cristais e vidrilhos. As pulseiras, colares e brincos são únicos e estilosos. Desde o principio a marca tem ganhado grande atenção da mídia e passou a compor editoriais de luxo de revistas importantes como, Elle, Cosmopolitan, InStyle, Glamour entre outras.


As peças criadas e produzidas no Brasil encantam desde as mulheres mais jovens até aquelas que gostam do luxo, do brilho e do glamour, pessoas do porte de, Jennifer Lopez, Fergie, Helô e Ticiane Pinheiro e Sabrina Sato. A última a se encantar com as peças foi nada menos que Sarah Jessica Parker, uma ícone fashion. Atriz e designer se encontraram, recentemente em São Paulo, onde Sarah gravava um comercial.
Brasileira naturalizada americana, Tricia se formou em Direito e trilhou uma bem sucedida carreira nos Estados Unidos até começar a dar atenção ao que realmente sempre a inspirou, a arte. A princípio, a ideia era dar vazão à sua veia artística, mas a aceitação foi tão grande que, apenas três anos depois Lavish by Tricia Milaneze deslanchou, aumentando seu faturamento em mais de 400%. Tricia abriu mão da carreira e segurança do Direito para se dedicar, exclusivamente, à sua recém-fundada empresa.  Resultando: o crescimento é constante e a empresa está ganhando cada vez mais espaço no cenário mundial.


A trama sofisticada e os desenhos criativos da Lavish by Tricia Milaneze conquistam a mulher que busca um acessório atraente e diferenciado. Todas as joias são extremamente femininas e usáveis, alem de acessíveis, o que e muito importante diante da realidade mundial.



A Coleção tem o toque pessoal e estilo da sua CEO e designer Tricia Milaneze, que reconheceu uma lacuna no mercado para a jóias feitas a mão e de alta qualidade. Juntamente com seu irmão Gervasio Milaneze, os dois criaram jóias artesanais com estilo e luxo.
A participação de Tricia Milaneze nas grandes feiras do segmento, realizadas ao redor do mundo, fala muito sobre a presença, cada vez mais marcante, da marca Lavish by Tricia Milaneze em importantes centros de moda e de consumo. Seu sócio e irmão Gervasio Milaneze que e responsável por toda a produção.
Além da utilização de materiais de primeira qualidade, o que mais confere valor às peças Lavish by Tricia Milaneze é a forma como são executadas, 100% artesanal. À frente do processo de criação, a designer desenvolve os acessórios que são executados por artesãos brasileiros, especialistas quando o assunto é trabalho manual. 


A fábrica está instalada na Vila Mariana, em São Paulo, sendo que, hoje, todas as peças produzidas são enviadas para Fort Lauderdale, na Flórida, a partir de onde os produtos são distribuídos para os diversos pontos de venda ao redor do mundo.
Os produtos Lavish by Trícia Milaneze são compostos quase que exclusivamente de acessórios de beleza, com notório destaque para colares, pulseiras e brincos. Entretanto, a metodologia utilizada para a execução das peças permite à designer extrapolar em suas criações, produzindo peças mais ousadas como cintos, bolsas, pecas de decoração e roupas desenvolvidas individualmente.
As Coleções da Lavish by Tricia Milaneze são comercializadas em varias lojas de departamento e boutiques e também no site da empresa. Lojas como Harvey Nichols em Londres e Hong Kong, Corso Como em Milao e Seoul, Bloomingdales in Dubai, em todas as lojas Wink e boutiques de todos os Hoteis W nos EUA, no site e lojas da Anthropologie and Urbanoutifitters Group e também no Ritz Carlton Hotel em Bahamas e a Pinacoteca de Paris, para citar alguns.


Em que pese a marca já esteja consolidada em vários países, tendo como maior consumidor os Estados Unidos, e, ainda que sua fábrica se situe no Brasil, somente agora a Lavish by Tricia Milaneze está entrando no mercado brasileiro, trazendo para cá o knowhow que a tornou destaque em outros lugares.
Quem compra Lavish by Tricia Milaneze, não compra uma bijuteria, mas sim uma joia artesanal e exclusiva.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Renovação sempre!


A difícil missão de se reinventar todos os dias, buscar ânimo e forças para que o hoje seja melhor do que o ontem, num eterno ir e vir de vivências nem sempre felizes...
Ao mesmo tempo que sinto um imenso cansaço, uma certa desilusão pelas expectativas frustradas, percebo a presença de uma energia que sempre se renova, uma esperança que nunca se apaga, um não sei o quê que me impulsiona e me faz acreditar que o amanhã será invariavelmente melhor.
Às vezes, depois de uma noite mal dormida, e são muitas, acreditem, vejo-me exaurida, exausta e sem vontade de nada, mas, aos poucos, essa sensação ruim vai desaparecendo e como num passe de mágica, retomo o controle e volto à vida plena, sem  me deixar levar pelo impacto momentâneo do desânimo.
O tempo não tem interferido significativamente na intensidade da chama que me alimenta, embora o corpo físico já não tenha o vigor de outrora e se ressinta do frescor metabólico.
Compensa-se essas falhas com a experiência de uma jornada bem vivida e tudo o mais que se aprende ao longo da existência.
Acreditem, muitas vezes o não enxergar com nitidez, o não ouvir com tanta clareza e os lapsos de memória, entre outras marcas indeléveis deixadas pela passagem do tempo, são bênçãos e como tais devem ser recebidas, quiçá uma moratória, um descanso, um alívio nesse mundo tão tumultuado, uma pausa no ritmo frenético da atualidade. O necessário esvaziamento das cargas até então carregadas.
Assim, raízes fixadas, chega a hora de ver os brotos nascerem e apreciar a natureza seguir seu inexorável ciclo de vida-e-morte. Ainda há frutos para serem colhidos.
Ontem chegou o Lucas, amanhã virá ao mundo a linda Júlia, e nessas idas e vindas vamos nos renovando a cada dia, até que a missão final seja cumprida e nos tornemos luz no universo, um com Ele.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ser original é um risco!




Hoje numa conversa deliciosa com o meu querido Vitor Borges falávamos sobre as agruras que envolvem a vida das pessoas originais, naturais e espontâneas, as quais se arriscam a viver na "Zumbilândia" que vem se tornando a sociedade dita pós moderna.
Fugir do padrão "Walking dead" de ser é para os fortes....manter-se imune ao que os antenados e cults ditam como regra é quase uma heresia nesse mundinho de aparências que temos hoje.
Ligo a TV, o rádio e lá estão os ditadores da moda, do comportamento, disso e daquilo, dizendo o que eu tenho que fazer. Nas redes sociais também não é diferente, pois não faltam aqueles que querem te convencer de alguma coisa, te converter a todo custo a uma religião, dieta, etc....
O preço é alto para fazer parte desse seleto clube e muitos pagam sorridentes esta jóia, abrindo mão da própria identidade só para serem aceitos no grupo e poderem "ver e serem vistos".
Aí eu pergunto: desde quando a superficialidade deixou de ser transparente? Ver o quê? O vazio? A não-essência? Como enxergar o invisível? Quem sabe o Super Man, com sua visão de raio-x.......essas coisas eu faço questão de não ver, sou literalmente uma cega para os modelos, standarts e paradigmas impostos por estes seres autômatos.
Não sou refém de nada e nem de ninguém. Minha consciência dita as minhas regras, meus valores e princípios são meus vetores neste labirinto que se tornou a vida em sociedade.
Sou completamente "out", demodê e cafona, como diziam na minha época e ser assim alegra a minha alma de menina-velha.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Reborn of the hell!



O pior bandido não é aquele que te toma de assalto nas ruas, sombra que surge inesperadamente dos becos escuros da periferia para, de arma em punho, anunciar em alto e bom tom ao que veio.
Definitivamente não.
Tenho pra mim que o mais tenebroso e perigoso meliante é aquele que frequenta as altas rodas (templos, tribunais, mansões e castelos), se diz servo de Deus e, cheio de orgulho, anuncia aos quatro ventos ser um soldado incansável na luta pela justiça.
Sempre muito falante e bem relacionado, engana e espolia os incautos com muita facilidade, espalhando iniquidade por onde arrasta seus pesados grilhões emocionais, qual abutre nascido das lamas da corrupção e do amálgama pantanoso do umbral, é um semeador de desgraças.
Ser das trevas, alimenta-se de restos, sobrevive na podridão, exalando, em razão disso, odores fétidos que nem as mais caras perfumarias conseguem afastar.
Age como se fosse o próprio Deus ou um Seu ungido, sempre vaidoso, vestimenta irretocável, discurso previamente engendrado para fazer sucumbir suas vítimas, as quais são incapazes de perceber no tom sombrio de seu olhar, o espectro que denuncia e reflete, inexoravelmente, as profundezas que habita sua alma contorcida em eterna agonia e devassidão.
É preciso ter cuidado e redobrar a atenção com esse tipo nefasto de individuo, embuste ambulante cada vez mais comum nos dias de hoje e, curiosamente, sempre em evidência nos ambientes em que circula, em virtude da falsa imagem que criou em torno de si, de defensor da ética e dos bons costumes, bastião inquebrantável da moralidade.
Numa sociedade em que a aparência é o que mais conta, urge reaprender o valor da essência, avaliando minuciosamente o que vai por dentro das belas maçãs que se oferecem para as donzelas desavisadas.        

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A noite escura da alma



Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em sítio onde ninguém aparecia.

Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!
Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

São João da Cruz
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