domingo, 17 de junho de 2012

As folhas do outono



Não é fácil ser outono.
Quem o aguarda ansioso?
São as folhas que caem,
é o vento que anuncia friezas.
Nostalgias. Recolhimento.
Tão meigo e tímido,
no entanto,
só parece querer avisar
que a cada folha que cai
nada se esvai, apenas vai
pra poder voltar…


Mais Folhas:
“Um borboleta amarela?
Ou uma flor seca que se desprendeu
e não quis pousar?

[Mario Quintana]

“Sei como voltar:
as cores do meu outono
desenham caminhos.”

[Yberê Libera]

“Repara que o outono
é mais estação de alma
de que de natureza.”

[Nietzsche]

“Nos dias de outono
as folhas largam no ar
um cheiro de sono.”

[Cristina Saba]

“As vezes eu só preciso do outono…”
[Rachrs]

“Ventania de outono
Tenho que andar
segurando a saia.”

[Dani Leão]

“Ventos frios de outono
as folhas brincam
de esconde-esconde.”

[Verita]

“Duas folhas na sandália
o outono
também quer andar.”

[Paulo Leminski]

É OUTONO!
do site http://www.mariafilo.com.br/blog/?p=20331

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Voluntário cárcere

 

Quanto mais eu vivo, mais eu desejo refugiar minha'lma num lugar onde prevaleça o amor, a ética, a compaixão pelo outro, pela natureza, pela vida em todas as suas formas......eis que descubro meu voluntário cárcere, minha prisão pérpetua, meu exílio espontâneo.....
O atalho surge atráves da música, da poesia, da literatura e artes em geral.....um mergulho, uma imersão no que realmente alimenta  meu ser, ávido de sentidos, significados, emoções verdadeiras....
Há quem busque nas substâncias psicotrópicas esta fuga do mundo real.....já o meu ópium vem de dentro de mim.....encontro-o nas fibras da minha essência primeva, telúrica e diáfana.
Hoje despertei com uma vontade incontida de passar o dia nessa instância, em suspenso, presa aos grilhões da intuição e flutuando entre cores, flores, palavras e sensações.....
Começo o dia cantando essa música linda, cuja letra transcrevo abaixo.....meu passaporte para mais um dia mágico, prisão sem chaves a que fui condenada pela eternidade!!!!!

Vilarejo - Marisa Monte


Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

sábado, 26 de maio de 2012

Numa manhã apaixonada de maio.....


Ainda bem que neste mundo tão deserto de sentimentos eu encontrei você....
Ainda bem que eu tive sorte de experimentar com você a sensação maravilhosa de amar e ser amada.....
Ainda bem que nos olhos seus eu consigo enxergar o pior e o melhor de mim, sem vergonha de admitir o que a minha triste condição humana teima em esconder......
Ainda bem que através de você e com você descobri minha porção mulher, meu lado mãe, trazendo à vida duas almas iluminadas, abençoadas.....nossos filhos.....
Ainda bem que com você tenho a oportunidade de viajar e conhecer lugares encantadores, dentro e fora de mim.....
Ainda bem que eu tenho você ao meu lado, meu amigo, meu amante, meu companheiro de viagem nesta vida, que depois de você, tornou-se uma grande festa, um poema de amor e alegria.

Esta música é pra você meu amor.....     

 

Ainda Bem

Vanessa da Mata

 

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá...
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá...
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa, hein?

Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor.

domingo, 13 de maio de 2012

Só pra chamar a atenção....



Ter opinião diversa da dos outros sobre algum tema é uma coisa, agora ser  invariavelmente "do contra" em quase tudo parece que virou moda (tem quem ache que é chic parecer crítico). É querer impor ao observador a sua visão do fênomeno em detrimento da dele, já inferindo que a sua é a melhor, a mais apropriada, a correta....é chamar atenção sobre si, um "ser genial" em destaque na "manada pensante", privilegiado pela "visão mais adequada" de um objeto qualquer. E nessa tarefa inglória de ser diferente para fugir da mesmice de ser o que se é em essência, perde-se muita energia, deixa-se escapar muitas oportunidades de viver momentos de contetamento com as coisas mais banais da vida, o trivial, o cotidiano, a rotina, os clichês.....tudo transforma-se em gatilho para a avalanche de fúria, mal humor e azedume da sábia e taciturna figura. Ai de quem ousar contrariar suas epifanias.....tornar-se-á, por certo, um excomungado, um exilado do seleto grupo dos admiradores das divindades pensantes.....
Para desalento geral, essa busca alucinada por "ser diferente" só para ser destaque e chamar atenção do grupo já é, por si só, um processo de "igualização", "carneirização" dos seres em desalinho com sua própria natureza, negada ao extremo (por incompreensão ou outras desarmonias psíquicas e emocionais de estilo), que passam a comportar-se diante da vida sempre do mesmo modo: contrariando a maioria (esteja ela certa ou não), na direção oposta , nadando contra a maré......não que realmente sejam assim, mas porque assim passaram a "existir" para o outro, contrapondo-o naquilo que mais gostariam de ser e por falta de coragem (ou oportunidade), não são.  
No fundo, é como diz a canção: E ô ô, vida de gado, povo marcado, povo infeliz.        

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Olhe para o céu.....


Naqueles dias em que estou cansada, desanimada com a vida, desencantada com as pessoas, olho para o céu e tento respirar pra dentro de mim toda a luminosidade das estrelas, o calor do sol, a liberdade dos pássaros, o mover singelo e silencioso das nuvens, o mistério dos ventos.....quero tudo em demasia, tudo que não tenho quando enxergo a vida com os olhos do corpo....afinal, nesta altura da vida já ando com as vistas cansadas.....duas cirurgias para corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo e presmiopia acabaram por interfirir na minha acuidade visual.....as moscas volantes, então, as tenho como fadas a rodopiar a minha volta....resumindo, só estou aguardando a chegada da catarata pra situação embaçar de vez. rsrsrsrsrsrs.....enquanto isso, vou trupicando por aí, vendo de  tudo um pouco, e quase sempre mal.... 
Falando em vistas cansadas, segue abaixo um lindo texto sobre "o olhar sem ver", uma boa reflexão sobre a cegueira que nos acomete com frequencia e nos impede de admirar as mais belas paisagens, aquelas que nos aproximam mais do divino e do sagrado, instâncias tão massacradas pela lente da razão.    

 
Vista cansada
Otto Lara Resende


Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.


Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.


Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.


Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.


Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O divã na sala de audiências

Segue artigo escrito em parceria com a querida Elizabeth Amarante, que retrata o nosso dia-a-dia na sala de audiências.



Inicia-se mais uma sessão, digo, audiência no 1º Juizado Especial Criminal de Brasília, cuja competência abrange crimes e contravenções em que a pena máxima em abstrato não ultrapasse 2 anos, os chamados delitos de pequeno potencial ofensivo, além de casos residuais envolvendo violência doméstica e familiar.

É explicado às partes que, num primeiro momento, será tentada uma conciliação entre ambas, em outras palavras, um acordo que coloque fim ao problema. É nesta oportunidade que temos o primeiro contato com o conflito, suas vertentes e seus protagonistas. Deixamos de lado o caderno processual, fechamos o Código Penal e passamos a exercitar a escuta ativa, com mente e coração abertos.

Ao contrário do que via de regra ocorre com os operadores do Direito, que buscam convencer pela oratória hermética, diante dos que desconhecem os labirínticos caminhos do discurso jurídico, nós, nas "sessões" do 1º Juizado Especial Criminal, praticamos mais a escutatória, como diria o Prof. Carlos Ilha. A tudo ouvimos, sem pré-conceitos e respeitando o ser que ali desnuda toda uma vida, quase sempre de amarguras e misérias. Nos colocamos no lugar do outro e, não raras vezes algumas histórias reabrem em nós antigas feridas, nos remetem a traumas ainda não superados.

Como é difícil deixar de lado o papel e as vestes talares, muitas vezes usadas para esconder o que há de humano em nós e criar uma percepção questionável de respeito, autoridade e sabedoria. Enxergar vidas por detrás de cada página dos autos é algo transformador . Não é só mais um caso, é um pedido de socorro. A transgressão é uma forma de chamar a atenção para algo que não está bem resolvido e, cabe a nós esta percepção e a adoção de uma postura que transforme aquela dor em algo de útil para o ser e para o grupo social em que ele está inserido. Não é só aplicar a lei, é fazer dela um instrumento de concretização de direitos e de crescimento pessoal.

Depois de um manhã de audiências, vamos para a casa e levamos juntos de nós aqueles olhos desesperados que suplicavam uma internação, outros, tristes, desertos de emoção, alguns despedaçados pela agressão sofrida, tanta dor e desencontro que não encontram o lenitivo esperado na prestação jurisdicional.

Parecem nos dizer: ‘Excelências, nós queremos mais, precisamos de mais, não nos ignore mais'!.

Dentro de tudo isto, lembramos de um ditado de nossos antepassados: ‘A cada dia o seu mal', fazendo da principal meta, seguir um passo depois do outro.

A dificuldade em descortinarmos as emoções dos que buscam na sala de audiências o lenitivo para as dores da alma, é nos depararmos com as nossas próprias emoções, diante da imprescindível razão que deve nos socorrer. Em certos momentos, na catarse de uma audiência, sentindo-nos mais próximas das dores e problemáticas alheias, a razão nos diz que não devemos estarmos tão próximas a ponto de nos paralisarmos ou nos apaixonarmos pelas causas, embotando nossas decisões.

A catarse dá espaço ao surgimento de insights e daí as decisões permitem-nos o direcionamento destas vidas em conflitos a ponto de percebermos que tal direção significa o ‘marco zero', o recomeçar, o pegar o ‘trem noturno para Lisboa' (Pascal Mecier). Dizemos nestes momentos: 'Saia desta situação, veja a que ponto você fez concessões, porque estas não são uma só, elas replicam-se, até o sentido do self desaparecer'. E a resposta, em alguns casos, vem na afirmação ou pensamento:Tem as Doutoras vidas tão confortáveis! É em verdade, na essência do assim entender, o desconhecimento, ou o não querer ver, que somos os seres que sofrem as mazelas e as felicidades do viver, sendo que o que nos é impresso em nossos atos são as lembranças de nossos afetos e dissabores, quando então, nós próprias nos deparamos com a dificuldade em atuar e ser aquilo que pretendemos para o outro, se naquela situação estivéssemos.

Como dito acima, os traumas não superados, ressurgem quando, naquela situação a ser debatida em audiência, é ou foi vivida por nós, aplicadores do Direito.

A vitória sentida, neste momento, é estarmos não só acolhendo aquele ser, mas também unindo-se a ele na dor que também nos é própria.

Portal Clube Jurídico do Brasi

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quando Você aceita o que é - Eckhart Tolle



Trechos do livro: O poder do Silêncio
- Eckhart Tolle -

“Quando você aceita o que é, atinge um nível mais profundo. Nesse nível, seu estado interior não depende mais dos julgamentos feitos pela mente do que é bom ou ruim. Quando você diz sim para todas as situações da vida e aceita o momento presente como ele é, sente uma profunda paz interior.

A aceitação e a entrega se tornam muito mais fáceis quando você percebe que todas as experiências são fugazes e se dá conta de que o mundo não pode te oferecer nada que tenha um valor permanente. Ao aceitar e entregar-se, você continua a conhecer pessoas e a se envolver em experiências e atividades, mas sem os desejos e medos do “eu” autocentrado. Você deixa de exigir que uma situação, uma pessoa, um lugar ou um fato te satisfaçam ou te façam feliz. A natureza imperfeita de tudo pode ser como é

A ironia é que, quando você deixa de fazer exigências impossíveis, todas as situações, pessoas, lugares e fatos ficam satisfatórios, harmoniosos, serenos e pacíficos.
Quando você deixa de resistir internamente, abre-se para a consciência livre de condicionamentos, que é infinitamente maior do que a mente humana. Essa vasta inteligência pode então se expressar através de você e ajudá-lo tanto por dentro quanto por fora. É por isso que, ao parar de resistir internamente, você costuma achar que as coisas melhoraram.

Você acha que estou lhe dizendo: “Aproveite o momento, seja feliz”? Não. Estou dizendo pra você aceitar este momento tal como ele é. Isso já basta.
A História mostra homens e mulheres que, ao enfrentarem uma grande perda, doença, prisão ou a ameaça de morte iminente, aceitaram o que era aparentemente inaceitável e assim encontraram “a paz que vai além de toda compreensão”.

Há situações em que nenhuma resposta ou explicação satisfaz. Nesses momentos a vida parece perder o sentido. Ou alguém em desespero pede sua ajuda e você não sabe o que fazer ou dizer. Mas quando você aceita plenamente que não sabe, desiste de lutar contra a resposta usando o pensamento de sua mente limitada. Ao desistir, você permite que uma inteligência maior atue através de você. Até mesmo o pensamento pode se beneficiar disso, pois a inteligência maior flui pra dentro dele e o inspira.”

“Às vezes entregar-se significa desistir de querer entender, e sentir-se bem com o que você não sabe.

O "Eu"...grande causador de problemas

Quando você se entrega, a noção que tem de si mesmo muda. O “eu” deixa de se identificar com uma reação ou um julgamento mental e passa a ser um espaço em torno dessa reação ou desse julgamento. O “eu” não se identifica mais com a forma – o pensamento ou a emoção – e você se reconhece como algo sem forma: o espaço da consciência.

Deixe que a Vida seja!”

“Sempre que você presta atenção em alguma coisa natural, em qualquer coisa que existe sem a intervenção humana, você sai da prisão do pensamento e de certa forma entra em conexão com o Ser no qual tudo o que é natural ainda existe.

Prestar atenção numa pedra, numa planta, num animal, não é pensar nele, mas simplesmente percebê-lo, tomar conhecimento dele. Então algo da essência desse elemento da natureza se transmite a você. Sentir a calma desse elemento faz com que a mesma calma desponte no seu interior. Você sente como ele repousa profundamente no Ser – unido ao que é e onde é. Ao se dar conta disso, você também é transportado de volta para um lugar de repouso no fundo do seu ser.

Veja como cada planta e cada animal são completos em si mesmos. Ao contrário dos seres humanos, eles não se dividem. Não precisam afirmar-se criando imagens de si mesmos, e por isso não precisam se preocupar em proteger e realçar essas imagens. O esquilo é ele mesmo. A rosa é ela mesma. Contemplar a natureza pode libertar você desse “eu” que é o grande causador de problemas.

sábado, 17 de março de 2012

Capturando memórias



A hora do recreio está acabando e, para que os bons momentos não me sejam levados sem prévio aviso, vou salvando minhas memórias (as boas e as más) neste espaço virtual, em arquivos para a posteridade. Mesmo que ninguém as leiam, restarão gravadas, eternizadas em palavras, imagens, sons.....
Não deixa de ser um conforto, quem sabe um dia, lendo cada um dos post aqui perfilados eu consiga resgatar tudo que perdeu-se nas não-lembranças, amarelecidas pelo tempo que passou e deixou suas marcas em mim, apagando as letras das minhas canções preferidas, embaralhando os enredos dos livros que li, desconectando as rimas dos versos que me fizeram suspirar........
O que vivi ficará tatuado na minha'lma, mesmo que a mente delete todas as recordações, pois tenho comigo  a indelével certeza de que as sensações e emoções sempre sobrevivem, caligrafias invisíveis que são nas páginas em branco do grande livro da vida.   

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Medusa Moderna


Eis como sinto-me hoje: a medusa moderna.
As serpentes interiorizaram-se e fizeram ninho em minha mente,
lugar propício para manterem-se vivas, vorazes e atuantes, sem serem
notadas pelos proto-Perseus.
A profusão de pensamentos representada pelos fartos cabelos de cobra,
o mito e a força do feminino.
As habilidades de uma górgona que não dá conta de resolver seus próprios
conflitos existenciais e refoge-se na figura de um monstro mitológico um tanto
quanto mal compreendido, já que na verdade era uma deusa, uma tríade, antes nascida
bela donzela. Aterrorizante tornou-se só depois, porém, manteve-se encantadora.
O escudo, o amuleto, àquela de cuja morte extraiu-se outras vidas magníficas....não há o que temer, pois morre-se um pouco a cada dia.
Diferente do mito, não trago no olhar o desamor paralisante e já não mato àqueles a quem amo, pois aprendi que este é o alimento primordial da minha alma.
Salvou-me a poesia, o Pegasus que alçou-me ainda petiz das entranhas da escuridão. Minha redenção.
É no escudo do seu olhar que vejo minha imagem refletida e esta visão liberta-me de todo
cárcere, ungindo a minha fronte com o bálsamo do amor e da compreensão.
Sou uma simples mortal que foi tocada pelo sentimento divino de um deus.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Io sonno tutti le cosi


 
“Io sono l’assurdo che si materializza.
 Io creo mondi possibili e ci cammino dentro,
 li guardo, li tocco, ci viaggio,
 ed essi hanno la stessa consistenza di quelli reali.
 Io sono l’improbabile che aquista un senso,
 gioco con fili di parole leggeri come nuvole
 che diventano abiti, su misura.
 Ed essi vestono personaggi
 irreali e folli, che sfilano per il mondo
 inconsapevolmente portando me
 sulla loro pelle.
 Perchè in ogni opera c’è dentro della vita.
 Ogni parola è creata da un uomo
 al pari di una lacrima.
 Io sono il virtuale
 che si attualizza
 inaspettatamente.”
 (Anton Vanligt) da "Mai Troppo folle"

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sou tantas....

 
(...) "Eu sou três, dependendo da pessoa que me procura. A menina ingênua, que fica olhando o homem com admiração, e finge estar impressionada por suas histórias de poder e de glória. A mulher fatal, que logo ataca aqueles que se sentem mais inseguros, e ao agir assim, tomando o controle da situação, os deixa mais à vontade, porque eles não precisam se preocupar com mais nada. E, finalmente, a mãe compreensiva, que cuida dos que estão precisando de conselhos e escuta, com um ar de quem compreende tudo, histórias que estão entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Qual das três você quer conhecer? (...) Embora na minha alma, eu seja uma filha que precisa de carinho." (...)

Paulo Coelho, em Onze minutos.

A lucidez que me cala....


“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: Pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: Que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.” (Clarice Lispector)